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sábado, 10 de maio de 2014

Inspirações da Maria: Zuzu Angel

Pra quem é apaixonado pela história da moda, e ama estudar um pouquinho as influências que esta área sofre ou exerce, consegue compreender rapidinho como a moda, que é uma forma de expressão, acompanha as grandes mudanças políticas e sociais. Não acredita? E se citarmos o New Look de Christian Dior? O estilista por trás da maison criou uma imagem de mulher super romântica e feminina, com metragens e mais metragens de tecido, depois dos anos de dificuldade da Segunda Guerra Mundial. E as roupas coloridas e alegres dos hippies dos anos 60 juntamente com o Flower Power? Uma lembrança de que o mundo precisava de mais amor ao próximo e tolerância, no lugar de grandes conflitos como a Guerra do Vietnã.


A Zuzu Angel é a soma da moda com viés político no cenário nacional. A estilista enaltecia os elementos culturais do Brasil, tinha visibilidade internacional, e foi um grande nome contra a ditadura militar. E nada mais justo que mostrar um pouquinho da vida desta mulher. Mãe, empreendedora, e tema da Ocupação Zuzu Angel, exposição que se encerra 11 de Maio, Dia das Mães, no Itaú Cultural de São Paulo e que faz uma retrospectiva da vida desta criadora.

Zuleika de Sousa Netto nasceu em Curvelo, município no interior de Minas Gerais. Ainda na juventude mudou-se para a Bahia. Neste ponto já criava e costurava, fazendo roupas para as primas. Lá conheceu o norte-americano Norman Angel Jones. Casaram e a mineira virou Zuzu Angel ao adotar o sobrenome do marido. O casal viveu alguns anos no Nordeste, onde Zuzu entrou em contato com as chitas e rendas nacionais.


Alguns anos depois a senhora Angel já havia fixado residência na cidade do Rio de Janeiro. Há pouco separada, costurava para ajudar o orçamento familiar. Aconteceu que sua mistura de rendas com estampas coloridas com um arzinho naïf agradavam a uma clientela cada vez maior. Ao invés de copiar os padrões europeus, criava tecidos exclusivos. Investiu em mídia, criou logomarca e abriu loja própria. Assim, mostrou todo o seu lado empreendedor e foi considerada uma visionária no mercado nacional. Acredita que Zuzu até desenvolveu uma estratégia de colocar seus produtos em lojas norte-americanas? Foi assim que ela teve peças nas araras da Bergdorf Goodman e da Saks, e conquistou clientes como a atriz Kim Novak, a filha do prefeito de Nova Iorque Kathy Lindsay, e a bailarina inglesa Margot Fonteyn. No Brasil vestia Yolanda Castelo Branco, mulher do presidente Arthur Castelo Branco, e sua amiga e garota-propaganda Elke Maravilha.

Mas vieram os anos de chumbo, e seu filho, Stuart Angel Jones, foi considerado um desaparecido político após ser preso e torturado pelo regime militar. E como mãe mostrou seu lado militante também. Questionou o desaparecimento em todas as esferas a seu alcance. Enviou cartas a organizações internacionais de direitos humanos, e usou sua moda como meio de protesto. Em seu desfile realizado em Nova Iorque em 1971, substituiu suas tradicionais estampas cheias de passarinhos, borboletas e flores com cores muito vivas por anjnhos amordaçados, meninos aprisionados e canhões disparando. Tentou, de todas as formas, chamar a atenção do mundo pra o que acontecia no Brasil.


Na madrugada de 14 de Abril de 1976 aconteceu o que muitos do círculo da estilista temiam. Angel morreu em um acidente de carro na Estrada da Gávea. Semanas antes do acidente , Zuzu deixou com amigos, inclusive com o músico Chico Buarque de Hollanda, um envelope com um documento que deveria ser publicado caso algo viesse a ocorrer com ela. Junto ao envelope havia o bilhete: "Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho".

Mas foi somente em 1998 que a Comissão Especial dos Desaparecidos Políticos, ao julgar o caso, reconheceu o regime militar como responsável pela morte de Angel. Sua vida e obra inspirou música, filme, e coleções de estilistas como Ronaldo Fraga e Tufi Duek. Hoje a memória da estilista é preservada através do Instituto Zuzu Angel, entidade carioca presidida por uma de suas filhas, Hildegard Angel.




domingo, 23 de fevereiro de 2014

Inspirações da Maria: mais alegria no mundo

Sabe quando estamos naquele domingo de preguiça sem fim - tipo hoje! - e aí logamos na rede social e compartilhamos alguma frase bonitinha tipo "mais amor, por favor"? Linda a mensagem, né? Mas e se algumas vezes, em vez de só compartilhar a mensagem, a gente levantar da cadeira e realmente praticar o amor? Que tal tomar coragem pra tal ideia, hein? É sobre isso que vamos falar hoje. De três pessoas/projetos que resolveram simplesmente praticar a alegria.

A nossa primeira história é  trazida pela norte-americana Gretchen Rubin. Ela tinha tudo o que uma jovem mulher podia desejar: família unida, bom trabalho e salário melhor ainda. Mas o que não diminuía era a sensação dentro dela de procurar a felicidade. Pra suprir esta busca leu incontáveis livros de autoajuda e clássicos da filosofia. Cansada de tanta teoria, partiu pra prática. Escolheu cinco metas mensais e trabalhou pra realmente colocá-las em prática. Na sua lista de metas tinha de tudo. Do "não fazer fofoca" até o "não encher o saco do marido com besteira", passando pelo "lembrar do aniversário de parentes e amigos". Eu sei, pode parecer bobinho pra você, mas pra ela deu super certo. O resultado ela publicou em um best seller e em um blog que ela escreveu simultaneamente. E lendo um pouquinho do trabalho da Gretchen, ela jura sim que está mais feliz.

Não tem websérie que demonstre melhor como a felicidade reside em coisas simples do que o projeto Continue Curioso. Lá somos presenteados com mini documentários com as histórias mais variadas: o que inspira o casal criador do Hypeness e do Casal Sem Vergonha; a publicitária que largou uma grande agência para cozinhar; o trio de amigos que tocam folk de alta qualidade nas ruas de São Paulo. São sempre vídeos mostrando pessoas que largaram uma forma convencional de ganhar a vida para tentar ser mais felizes. E a mensagem que o canal utiliza para definir seus interesses no "quem somos" não podia encaixar melhor: "o caminho aguarda os pés, que o enveredam por outro caminho."

Pra encerrar o nosso texto trazemos um projeto, chamado Nossa Jornada, que deixa muito claro que a felicidade existe quando ajudamos o próximo. O Nossa Jornada foi criado pela artista Renata Quintella que um dia resolveu sair pelas ruas de São Paulo e perguntar a um desconhecido o que ela podia fazer por ele. Ok, algumas pessoas são resistentes a ideia, mas Renata já fez coisas que vão de limpar a casa de uma mulher até a organizar um aniversário de criança. Suas ações já chegaram a 23 cidades e 3 países, e como tudo começou com dinheiro dela que, super natural que acontecesse, acabou, Renata abriu uma petição, no site Catarse, para poder financiar mais projetos.

Então, depois de ler e ver histórias tão inspiradoras, que tal nós tentarmos praticar a alegria na nossa rotina? Tudo começa com ações pequenas, que podem ser desde ajudar um idoso a atravessar a rua até por um potinho de água na calçada da sua casa para os bichos abandonados terem onde se refrescarem. A ação vai depender de cada um, mas a garantia é que a felicidade sempre vem. Pra quem recebe a gentileza e pra quem pratica a alegria.


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Inspirações da Maria: Helena Rubinstein

Hoje resolvemos falar um pouquinho de uma mulher mais que inspiradora. Ok, ela não foi perfeita, mas afinal, quem é? Na verdade a pessoa de quem vamos falar hoje, Helena Rubinstein, venceu na vida economicamente, criou uma empresa e mais do que isso, um império de beleza. Não acredita? Pois continua lendo que você vai ver como a nossa bolsinha de maquiagem não seria do jeito que é hoje sem esta diva dos cosméticos.


Helena nasceu como Chaja em um bairro judeu de Cracóvia, na Polônia, em 1872. Ela era a mais velha de oito irmãs e filha de uma dona de casa e de um pequeno vendedor de combustível para lamparinas. Desde pequena mostrava que tinha uma determinação fora do comum. Ainda adolescente tentou casar com um goy, termo usado entre a comunidade judaica para os não judeus. Apesar da paixão, a família proibiu. Então a jovem Chaja bateu o pé e decidiu estudar medicina, mas foi novamente impedida pelos pais. Percebeu que se ficasse na casa da família não teria espaço pra ser o que queria e foi morar com uma tia em Viena. Ficou na capital austríaca até completar 24 anos quando foi morar com um tio que nem conhecia na Austrália. Tudo pra fugir de um casamento, arranjado pela família, com um judeu bem mais velho e rico.

Já na Oceania a jovem Rubinstein passou a trabalhar como babá e faxineira de mulheres da alta sociedade local. Mas o que chamava a atenção de suas empregadoras era a textura de sua pele, lisa e sem nenhuma marca, uma vez que ela evitava ao máximo se expor ao sol australiano. Diz a lenda que em sua mala ela carregava 12 potes de um creme facial caseiro que sua mãe usava e era feito por vizinhos da distante Cracóvia. Aproveitando-se dos elogios que recebia pela pele, tratou logo de atribuir o segredo ao creme dizendo que a receita do mesmo era um segredo de família feito com ingredientes provenientes da região dos Cárpatos, a região montanhosa da Europa onde fica a Polônia. Devido ao seu incrível tino comercial a história se espalhou e as encomendas se multiplicaram. Helena passou a encomendar mais potes com mais frequência a mãe e os vendia a um preço bem mais alto na Austrália. Algum tempo depois, com a ajuda de um patrão que era químico, aperfeiçoou a fórmula adicionando lanolina. Assim foi desenvolvido o seu primeiro produto oficial: o hidratante Valaze, que significa presente do céu em húngaro.


Nove anos após ter desembarcado na Austrália Helena já produzia sabonetes, loções adstringentes e cremes hidratantes. Os seus produtos, com fórmulas exclusivas, eram vendidos no primeiro salão de beleza do mundo, também invenção de Rubinstein e aberto em Melbourne um ano antes, em 1902. O lucro obtido foi investido em viagens para encontrar médicos e cientistas na Europa que lhe ensinaram técnicas de regeneração e firmação de tecidos, e também como retardar o aparecimento de rugas. Não demorou muito para que se instalasse em Londres, num salão em Mayfair.

Foi neste ponto que a vida de Helena Rubinstein virou quase uma lista de patentes do mercado da beleza: inventou a classificação dos tipos de pele em normal, seca e oleosa em 1910; criou o autobronzeador; descobriu a importância da hidratação do rosto como primeiro cuidado anti-envelhecimento; inventou o rímel à prova d'água; e também foi ela que inventou a estratégia, utilizada pelo mercado de beauté até a exaustão, de lançar um novo produto com um megaevento. Em 1941 lançou 5.000 balões nos céus de Nova Iorque, onde dentro de cada havia amostras grátis do seu terceiro perfume, o Heaven Sent.


Voltando um pouco no tempo, em 1908, Helena casou com o jornalista norte-americano Edward Titus. Titus tinha a fama de dândi, aquele homem de bom gosto e fantástico senso estético, mas que não necessariamente pertencia à nobreza. Com seus ternos feitos por encomenda em Londres, e suas camisas francesas Titus conquistou o coração de Rubinstein. Ele foi o primeiro homem a quem Helena beijou, e o casal teve dois filhos: Roy e Horace. Mas apesar do casamento Edward traía a esposa compulsivamente, o casal tinha brigas colossais, e Rubinstein carregava um constante sentimento de culpa por não dar a devida atenção ao marido em função do trabalho.

Por colocar o trabalho sempre em primeiro lugar também ficou conhecida por não ser uma das melhores mães que uma criança poderia ter: era extremamente controladora e pouca afetuosa, além de deixar a educação dos filhos a cargo das babás e dos tutores.


Em 1914 Helena se mudou pra Nova Iorque e levou na bagagem suas duas novas invenções: o pó facial opaco e o blush. Mas nada seria tão facial quanto antes. Nos Estados Unidos já reinava outra dama da beleza, Elizabeth Arden. Começava assim uma das maiores rivalidades do mundo dos cosméticos: enquanto Rubinstein pregava a opulência na maquiagem e nas joias, Elizabeth pregava o make natural e o estilo de vida mais leve. Em meio a esta briga feroz pelo mercado norte-americano veio a notícia que Titus havia trocado Helena pela empregada da casa. Prática, ela nem se abalou. Deu ao ex-marido uma polpuda compensação financeira e comprou de volta as ações com as quais lhe havia presenteado quando se casaram.

A rainha mundial da beleza mostrou mais uma vez seu lado prática quando ficou bilionária depois da quebra da bolsa de valores de 1929. Comprou de volta suas ações, que antes havia vendido ao banco Lehman Brothers, por um preço irrisório.  Arrebatou admiradores por todo o mundo e circulava no mais alto meio artístico também. Foi pintada por Salvador Dalí, e Picasso fez 40 desenhos dela, mas nunca terminou o quadro definitivo.


Com mais um golpe de sorte se apaixonou, aos 66 anos pelo príncipe russo Artchill Gourielli-Tchkonia, 23 anos mais jovem, e tiveram um casamento feliz por quase 17 anos até seu príncipe morrer de um infarto fulminante. Três anos depois viu seu filho caçula também morrer em um acidente de carro. Helena deixou um império bilionário e um mundo mais bonito pra nós mulheres. Hoje seu nome figura entre as cinco divas da cosmetologia junto com sua rival Arden, a russo-francesa Anna Pegova, a também norte-americana Estéé Lauder, e com a ucraniana-francesa Nadine Payot.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Inspirações da Maria: John Casablancas

Hoje resolvemos falar um pouquinho do fundador da Agência Elite, a maior e mais famosa agência de modelos da história. Mostrar a importância que sua empresa teve para o mundo da moda, e falar de seu gosto por coisas belas e simples até seus últimos dias em que lutou bravamente contra um câncer. Bem, se você gosta de moda, deve entender a importância que as modelos tem pra esta areá, e com certeza Linda Evangelista ou Cindy Crawford não seriam quem foram sem a ajuda de John Casablancas.


John nasceu em Nona Iorque e era herdeiro de uma rica tecelagem de origem catalã. Desde novo frequentava as mais altas rodas do jet-setter internacional. Estudou num dos colégios internos mais bem conceituados do mundo, o suíço Le Rosey e sua irmã Sylvia Casablancas foi namorada de Aga Khan, líder espiritual e religioso e nome que figurava na lista dos homens mais ricos do planeta. Foi no Le Rosey que Casablancas aprendeu a gostar de luxo e admirar belas mulheres. Ainda na época de escola recebeu a fama de ser mais sensualista do que intelectual, uma vez que namorava uma garota atrás da outra, principalmente nas férias de verão. Adorava viajar e por isso fez aulas em diversas universidades: na Genebra, em Saragoça e também cursou língua e civilização alemã na Baviera. Numa de suas viagens internacionais veio parar pela primeira vez no Brasil. Era a década de 60, e o jovem John aceitou o emprego de administrador na fábrica da Coca-Cola no Nordeste. Apaixonou-se pela feijoada e pela caipirinha, e também por uma francesa que morava aqui, Marie-Christine. Com ela teve sua primeira filha, Cécile, designer de joias que mora no Recife.

Com seu espírito de nunca parar, sua temporada no Brasil, e o casamento também, não duraram muito. No final da década de 60 já estava em Paris e lá conheceu a sua segunda mulher e mãe de seu segundo filho, Jeanette Christiansen. Jeanette era ex-miss Dinamarca, e com ele tiveram Julian Casblancas, sim, o músico que ficou famoso com a banda The Strokes. Juntos, o casal fundou a Élysée 3, primeira agência de modelos de John. Sua mulher administrava o negócio na sede na capital francesa, e Casablancas rodava o mundo procurando meninas e levando-as pra França. Mas o negócio, que começou recheado de novos rostos com belezas invejáveis, logo fechou devido a fuga de suas modelos pra agências da concorrência. Foi aí que Julian descobriu que sua recepcionista avisava sobre os news faces da Élysée 3 pras outras agências, que logo tratavam de fazer convites irrecusáveis as garotas. A este episódio Casablancas deu o nome de aprendizado da traição, e se alguém tinha a capacidade de aprender com os erros, bem este era John Casablancas. Em 1972 fundou a Elite em Paris e ao mesmo tempo abriu a filial em Nova Iorque, e ganhou fama por ser um competidor implacável.


Mas o sucesso da Elite não veio só da fama de não dar espaço a concorrência de Casablancas. Além de seu talento pra achar rostos bonitos, ele sabia reconhecer se aquele rosto belo vingaria. Segundo as palavras de John "a diferença entre uma mulher bonita e uma que será modelo famosa é que a segunda tem uma luz especial; ou é mais sexy, ou tem uma elegância fora do comum, ou tem uma personalidade que vai encantar a todos, ou reúne todos esses atributos numa só pessoa, que é geralmente o caso das supermodelos". Somado a estes dois fatores tinha a nova visão que o empresário trouxe para o negócio: passou a traçar um plano de carreira para os modelos onde as aparições não poderiam ocorrer de forma banalizada. Com aparições mais raras os cachês aumentavam. Fora isso profissionalizou os books e os castings.

Assim descobriu e alavancou a níveis internacionais ninguém menos que Naomi Campbell, Claudia Schiffer, as já citadas acima Cindy Crawford e Linda Evangelista, e Heidi Klum, dentre muitas outras. Também foi o responsável pelo início da carreira de atrizes como Cameron Diaz, Uma Thurman, Kirsten Dunst, Isabella Rossellini e Natassja Kinski; fora o fato de que foi ele o primeiro a exportar a beleza brasileira pro cenário da moda internacional com nomes como Adriana Lima, Ana Beatriz Barros e Isabelli Fontana.


Casablancas também foi o criador dos famosos concursos Look of the Year, evento que rodava as cidades do mundo e transformava uma simples garota em estrela internacional do dia pra noite. Mas com tanto sucesso também vieram as crises. A primeira ocorreu no final dos anos 90 quando, depois do surgimento da era das super modelos (fato que já falamos um pouquinho aqui) as modelos consideradas tops passaram a exigir o tratamento igual a de uma celebridade, não mais somente como uma simples modelo. Assim muitas migraram pra IMG, agência especializada em gerir a carreira de famosos. Mas a gota d'água foi quando a sua mais nova pupila, Gisele Bünchen, trocou a Elite pela IMG, levando consigo sua booker, isto tudo às vésperas de assinar um contrato com a super poderosa Victoria's Secrets. Na mesma semana Gisele recebeu o prêmio de modelo do ano em Nova Iorque e não agradeceu a John Casablancas e nem citou seu nome. Citou somente os novos agentes com quem estava trabalhando.

Ainda no mesmo ano, em um documentário da rede BBC, foi feita a denúncia de executivos da Elite em festas regadas a álcool e drogas com as suas agenciadas. Apesar do escândalo não ter prova alguma contra a pessoa de John, e dele ter, logo em seguida, afastado todos os envolvidos, sua fama de namorador voltou a tona. O motivo de seu divórcio de Jeanette, que aconteceu em 1983 devido ao relacionamento de Casablancas, que na época tinha 41 naos, com uma de suas new faces, Stephanie Seymour de 16 anos, tornou-se público.

Em 2000, um ano após todos estes escândalos, se viu obrigado a vender a sua parte na agência, mas entrou no que veio a considerar a melhor parte da sua vida: mudou-se pra Miami e já casado com a brasileira Aline Wermelinger, vencedora do Look of the Year de 1992, se dedicava a criar os três filhos mais novos  que teve com Aline: John Júnior, Fernando Augusto e Nina, e os netos de sua irmã, Isaac e Giacomo. Era fã incondicional de Pelé, mas foi convencido pela mulher pra virar a casa pelo Flamengo e não perdia um jogo do time.

Mas apesar desta fase de sossego, onde abandonou o cigarro e a fama de Don Juan, tentou algumas vezes, mas sempre sem sucesso, reviver a Elite. Os tempos haviam mudado e a visão que John tinha não combinava mais com o mercado. Casablancas passou a defender que a beleza não devia ser prioridade em detrimento da saúde, que as meninas menores de 16 anos não deveriam ter autorização pra trabalhar, e que drogas, álcool e prostituição deviam ser expressamente proibidas no meio. Tais declarações só o fez parecer, aos olhos de muitos, como um crítico raivoso que não sabia aceitar que seu período já havia passado.


De arrependimentos John admite só ter dois: nunca ter aprendido a tocar vilão e ter fumado, o que lhe causou um câncer agressivo nas cordas vocais que também se espalhou para os pulmões, ossos a até pelo cérebro. Casablanacas enfrentou a doença de forma valente e se submeteu a diversos tratamentos penosos. Como último pedido quis que suas cinzas fossem espalhadas na propriedade dos pai de Aline no interior do Rio de Janeiro. Segundo ele era o segundo lugar mais bonito do mundo, atrás somente de Paris. John morreu na sua casa no Rio, cercado pela mulher e pelos cinco filhos. Na cerimônia na casa dos sogros, do jeito que pediu, estavam também seus dois sobrinhos-netos, que moram na Europa e os amigos mais íntimos.

Antes de morrer John Casablancas gravava depoimentos pra um longa que está sendo produzido sobre a sua história e as inúmeras carreiras que ajudou a criar definindo um período no mercado da moda.


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Inspirações da Maria: Azzedine Alaïa

Bem, primeiro vamos responder por qual motivo usamos a tag inspiração pra falar de outros designers. Já nos perguntaram isto algumas vezes, e sempre é um prazer responder que inspiração pra Maria não é só uma frase bonitinha ou uma imagem de pôr-do-Sol, embora estas coisas realmente tenham o poder de nos inspirar. Mas por que também não se sentir tocado pelos designers, que seja na moda ou em áreas afins, construíram uma carreira de sucesso fazendo o que amam? O alvo de nossa admiração hoje é ninguém menos que Azzedine Alaïa, o criador das roupas mais sexy do planete e dono do título de "Mestre das Curvas".

O estilista nasceu na Tunísia em 1939, e desde a juventude teve o olho voltado pra moda. Uma de suas memórias mais antigas é a da tia, uma dançarina, que visitava constantemente a costureira que reproduzia peças das já renomadas Dior e Balenciaga. Pra ele, a tia era a mulher mais elegante que conhecia, e o fato dela ser aplaudida nas ruas quando passava com suas roupas réplicas, mas extremamente bem feitas, o fascinava.

Ainda jovem foi pra Escola de Belas-Artes em Paris. Lá desenvolveu o gosto por anatomia, proporções e equilíbrio. E o resto da paixão pelo corpo feminino veio quando um dia, ao andar pelas ruas da capital francesa, viu a musa da época Marlene Dietrich saindo do carro com as suas belas e compridas pernas.


Na escola ficou conhecido pelo seu talento em lidar com as proporções, e assim ganhou a chance que tanto queria: uma passagem para o ateliê de Dior. A passagem não foi lá a das mais longas, mas foi suficiente pra ensinar a Alaïa a arte de costurar pra mulheres. Fez contatos com grandes divas mundiais, e aproveitou a oportunidade pra, na raça, abrir o seu próprio estúdio. Eram 18 costureiras trabalhando pra ele, e clientes como Greta Garbo e Maria Callas. Mas o mais impressionante é que nesta época Azzedine ganhava muito pouco. O próprio criador descreve a época em uma entrevista recente: "Comecei sem um tostão na Rue de Bellechasse. (...) Rolls-Royce ficavam estacionados em frente ao prédio, com todas aquelas mulheres muito ricas circulando por ali. Era o luxo em meio à pobreza total."

Foi exatamente nesta época que Azzedine conheceu Arletty, cliente, amiga e musa. Grande incentivadora de suas criações, Arletty virou embaixadora de suas criações e encantava cada vez mais mulheres par saber de quem eram aqueles vestidos tão maravilhosos.


Nos anos 80 ocorreu o boom da sua carreira. Vestia chefes de Estado até top models como Naomi Campbell e Cindy Crawford. Mas é tido como um visionário na área: mora nos andares de cima do mesmo prédio onde mantêm sua loja e seu ateliê. Vez ou outra dizem que ele surpreende alguma cliente desavisada quando aparece na loja sem aviso prévio organizando as araras. Também não participa do calendário oficial da moda. Entrega as roupas no prazo que jura suficiente pra confeccioná-las e só produz quando acha necessário produzir. Diz que sua moda é arte, e que por ser arte, a criação é algo sério demais pra ser submetido ao ritmo infernal que o mercado impõe.

O criador também é famoso por ser defensor dos direitos dos animais - ele cria oito gatos, três cachorros e uma coruja - além de ser um grande admirador das artes. Tanto talento não poderia render um reconhecimento menor: não bastasse seus 34 anos de carreira, com peças cobiçadas e sucesso de vendas de lojas próprias a brechós, Azzedine foi prestigiado, no mês passado, com uma retrospectiva de sua carreira.  Uma exposição de fazer qualquer mulher babar!



quarta-feira, 15 de maio de 2013

Inspirações da Maria: John Galliano

Nem mesmo as polêmicas conseguem ofuscar todo o brilhantismo de John Galliano.

  

Nascido Juan Carlos Antonio Galliano Guillén, John Galliano nasceu em Gibraltar e é um estilista britânico.
Filho de pai gibraltino e mãe espanhola, o estilista mudou-se para Londres com a família 6 anos após seu nascimento, em 1966. Lá, Galliano começou a trilhar seus passos para o mundo da moda e aos 24 anos, graduou-se como melhor aluno em Design de Moda na super prestigiada St. Martins College of Arte & Design.

Em 1995, Bernard Arnault (proprietário da LVMH) escolheu Galliano para ser o novo diretor criativo da Givenchy. E assim, a mente brilhante de John Galliano quebrava mais um recorde: ele foi o primeiro britânico a assumir o controle criativo de uma casa de moda francesa.
Após dois anos, Arnault pediu que Galliano levasse seu primoroso trabalho para a Christian Dior S.A, a qual na época (pasmem!) estava em decadência. O estilista não só deu novos ares para a tradiocionalíssima Dior, como criou também sua própria marca, a qual leva seu nome.

De fato, excentricidade e polêmica são os sobrenomes de John Galliano. Em 2011, a maison Dior suspendeu o estilista em consequência do seu comportamento e declarações feitas em locais públicos. Apesar disso, está focado em dar a volta por cima: Galliano participou da última coleção de Oscar de La Renta para a NYFW e, recentemente foi convidado a ser professor da Parsons School of Design, escola de renome que, dentre seus graduados, está ninguém mais ninguém menos que Francisco Costa da Clavin Klein.


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Inspirações da Maria: Linda Evangelista

Sabe quando dizem que o mundo da moda é responsável por criar muita polêmica que existe por aí? Pois bem, se depender da pessoa - literalmente Linda - que a Maria hoje vai falar um pouquinho, pode apostar que é verdade.


Linda Evangelista é natural de Ontário, Canadá. Aos 12 anos, já havia decidido que seria modelo, então aos 13 anos se inscreveu em um concurso de beleza para adolescentes. Linda não foi a escolhida, mas ganhou o que queria: o passaporte de entrada para o mundo da moda. Entre os jurados, estava um olheiro de uma agência de modelos de Toronto, e advinha por quem ele se encantou? Pelos olhos azuis-esverdeados e o rosto estonteante da jovem Evangelista.

Aos 16 anos foi sua vez de ser descoberta por um olheiro da famosa agência Elite, e aos 19 mudou-se pra Nova Iorque com a promessa feita aos pais de que voltaria pra casa após um ano caso a carreira não vingasse. Vários trabalhos vieram, embora nenhum de grande renome no mundo da moda. Mesmo assim, em 1988 Linda estava com 20 contratos assinados.


Foi neste período que aconteceu a grande guinada que Evangelista tanto esperava. Seu atrativo maior era a beleza: olhos e rosto irresistíveis, corpo escultural e cabelos longos cor de chocolate. Foi a pedido do fotógrafo Peter Lindbergh que o cabeleireiro Julien d’Ys cortou os cabelos de Linda. Era um corte curtinho, com as pontas desfiadas e nuca a mostra. A princípio, Evangelista adorou a mudança, mas quando viu 18 dos seus 20 contratos serem cancelados, ligou aos prantos para o amigo e também fotógrafo de moda, Stevem Meisel, para buscar conselhos e conforto. Dois meses depois, fez o que as modelos chamam de o Grand Slam da moda: foi capa da Vogue América, Itália, França e Reino Unido. Ganhou o título de supermodelo, termo recém-surgido na época e que servia pra designar as modelos que ganhavam um ar de quase deusas: cachês milionários, status de celebridade e o reconhecimento como ícones de beleza de uma geração. Difícil é imaginar depois de Linda Evangelista uma mulher que no início dos anos 90 não quisesse um corte de cabelo curto com a nuca a mostra.

Tendo ou não como ponto de partida o corte de cabelo de Linda, surgiu uma nova era no mundo da moda. O boom das supermodelos e a criação do quinteto fantástico: o grupo formado pelas norte americanas Christy Turlington e Cindy Crawford, pela britânica Naomi Campbell e pela alemã Claudia Schiffer, que a partir do início dos anos 90 transformou o poder que a imagem de uma modelo pode exercer.


A proporção que a fama alcançava Evangelista, começava também a surgir as polêmicas que envolveriam suas declarações públicas e até mesmo sua vida pessoal. A primeira de suas polêmicas é uma máxima feita logo no início do seu sucesso estrondoso. Em uma declaração soltou “Não nos levantamos da cama por menos de 10 mil dólares”, em referência aos contratos milionários pagos as supermodelos. A realidade é que mesmo sendo cachês escandalosos, o sucesso das campanhas era certeiro.

A segunda polêmica em que se viu envolvida foi quando a modelo completou 41 anos. Grávida de seu filho, Augustin-James, e ainda muito requisitada por revistas, Linda declarou que mesmo durante o período da gestação era a favor de procedimentos cosméticos como o uso da toxina botulínica e de tratamentos para estimular a produção de colágeno. Um tabu, já que o botox em alguns casos é visto como vilão, principalmente pra quem trabalha com a imagem, uma vez que seu uso em exagero congela as feições.


Sua última polêmica aconteceu em 2010 e envolve seu filho e a briga judicial com o pai do menino, François-Henri Pinault (pra quem não sabe, muitas das maisons e grandes marcas do mundo da moda pertencem a grupos. O conglomerado PPR, que François é herdeiro e CEO, é “dono” de marcas como Puma, Gucci, Stella McCartney, Alexander McQueen, Yves Saint-Laurent, Bottega Veneta, dentre outras). Foi ao pai de seu herdeiro que Evangelista entrou com um pedido de 46 mil dólares mensais de pensão, ou mais de meio milhão de dólares por ano. É o pedido de pensão mais caro já dado entrada na Corte de Família de Manhattan.

Polêmicas a parte, difícil é definir quais seriam os padrões de moda e beleza e até mesmo como seria a cultura pop de hoje sem o quinteto fantástico e Linda Evagelista. Será que Gisele Bündchen seria uma ubermodel? Incrível é ver o carisma que tais mulheres tinham. Com exceção de Claudia Schiffer, é possível ver todas as supermodelos juntas no videoclipe mais fashion de todos os tempos: Freedom de George Michael!


Atualmente, Linda Evangelista tenta chamar atenção pra outras coisas. Em uma entrevista realizada em 2005 para o jornal britânico The Telegraph a modelo tentava chamar atenção pra campanhas contra a AIDS no qual faz parte. Em um tom de brincadeira e fazendo alusão a sua máxima dos anos 90 soltou: “Hoje saio da cama por razões muito melhores.”

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Maria mostra: Anton Corbijn

Oi gente! As vezes tentamos trazer algo bem legal pra mostrar pra vocês aqui no blog. O problema - no bom sentido! - é que tem tanta coisa boa no mundo que seria impossível catalogá-las. Por isso que o tema de hoje mistura várias tags daqui do blog e assuntos que amamos: "sonzinho", "Maria mostra" e "inspirações da Maria".


Acho que já deu pra perceber que a Maria é fã de fotografia. É uma linda forma de expressão, vocês não acham? E seria impossível falar de fotografia - principalmente as preto e branco que a gente tanto posta aqui! - sem falar de Anton Corbjin. Conhecem?!

Bem, ele é simplesmente "o cara" quando se fala em fotografia de celebridades, e principalmente, fotos de músicos e bandas de rock. Sabe o famoso álbum The Joshua Tree do U2 que marcou uma geração e influenciou tantos músicos de hoje? As fotos do encarte são dele!


A carreira deste talentoso homem natural dos Países Baixos não fica só na fotografia. Além de viver um tempo na estrada com os amigos do U2, e dirigir um videoclipe deles (pra ser mais específica foi o vídeo da música Electrial Storm), Antom também dirigiu vídeos pro Depeche Mode e pro Nirvana. Em 2007, estreou na telona e a escolha mais natural seria fazer algo ligado a música. Brilhou na direção de Control, filme em que o talentoso Sam Riley (o Sal pra quem viu On The Road, como a gente!) interpreta o líder da banda Joy Division. O filme foi tão bem recebido pela crítica que levou prêmios no Edinburgh International Film Festival e  no Festival de Cannes. Em 2010 lançou seu segundo longa, Um Homem Misterioso com George Clooney.


Mas seu sucesso começou mesmo na fotografia. Aos 22 anos lançou seu primeiro livro intitulado Famouz. Suas fotos já viraram imagens icônicas. Fotografou Mick Jagger com roupas de mulher e maquiagem, e fez o impensável ao fotografar Kate Moss cobrindo o seu rosto com uma máscara. O cast de suas sessões é recheado por personalidades que formam o time A da área em que atuam: Jodie Foster, Alexander McQueen, Anthony Kiedis, Naomi Campbell e tantos outros!


Apesar de todo o sucesso, Anton não devaneia. Diz que a febre das celebs não o encanta e que prefere levar uma vida mais calma e pé no chão. Depois de décadas vivendo em Londres, não faz muito tempo que o artista voltou a fixar residência à beira-mar em Haia.

E pra celebrar estes dias nublados e chuvosos, nada melhor que um sonzinho épico! Fiquem agora com a linda Samantha Morton  no vídeo Electrical Storm do U2. ;)


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Inspirações da Maria: Francisco Costa

Bem mineirinho! Apesar de viver a 27 anos nos Estados Unidos, Francisco Costa ama feijão com arroz, compra pão-de queijo numa loja de brasileiros em Nova Iorque, e  mais importante de tudo, marcou seu nome na história da moda mundial.


Francisco é natural de Guarani, interior de Minas Gerais. Como seus pais possuíam uma fábrica de roupas infantis, cresceu entre moldes e tesoura, e seguir na área era a decisão mais natural a se tomar. Em 1985, com 19 anos e e sem falar uma palavra em inglês, mudou-se pros Estados Unidos. Recém chegado na cidade descobriu que os cursos noturnos da FIT (Fashion Institute of Tecnology) eram mais baratos, e não perdeu tempo em fazer sua matrícula.

Com pouco tempo depois descobriu que uma associação italiana de tecidos estava promovendo um concurso entre os alunos da escola. Costa se inscreveu e fez seu trabalho baseado no figurino dos atores Marcello Mastroinanni e Anita Ekberg no filme A Doce Vida (La Dolce Vita). Com esta coleção o estilista chamou a tenção tanto dos organizadores do concurso como dos responsáveis pela escola, e ganhou uma bolsa de estudos completa.


Começou a carreira trabalhando pra um dos melhores: Oscar de La Renta (falando nele, sabiam que o Council of Fashion Designers of America, em que falamos neste post aqui sobre a Diane von Furstenberg, também já teve de La Renta como presidente?!). Com ele aprendeu a fazer roupas extremamente bem feitas e clássicas, que valorizavam o corpo da mulher de uma forma romântica.

Depois seguiu pra trabalhar na Gucci na era Tom Ford (também já falamos um pouquinho desta parceria entre Gucci e Ford aqui). Com Ford a linha de criação, e consequentemente de aprendizado pra Francisco, era outra. A imagem era o carro-chefe. As peças eram comerciais, mas extremamente sedutoras.


Em 2003 foi convidado pelo Calvin Klein em pessoa para ser o diretor criativo da marca norte-americana, uma das mais famosas do mundo. Apesar do medo inicial, sua primeira coleção foi recebida por uma série de críticas positivas e encorajadoras. Imprimiu cor na marca, mas sem deixar de lado as características que a CK já tinha, um toque esportivo e um minimalismo sutil. Suas peças viram sucesso certeiro e passaram a ser corriqueiramente usadas por beldades como Liv Tyler, Scarlet Johansson, as irmãs Olsen, Katie Holmes, Michelle Obama, Hilary Swank, Uma Thurman e Eva Mendes.

Eva é sua amiga próximas, mas Costa não nega que ter uma celebridade vestindo uma de suas criações gera uma atenção mais que positiva pra marca e pro produto. "As pessoas ligam na loja pedindo o mesmo vestido que ela usa no tapete vermelho do Oscar. Muitas sonham em participar daquele momento, em ser aquela estrela."


Com toda esta repercussão, Francisco Costa não poderia deixar de ser um criador premiado. Ganhou o prêmio como designer feminino do ano, concedido pelo CFDA, em 2006 e 2008, e o National Designer Award como estilista em 2009.

Apesar de todo o sucesso, leva uma vida discreta. Em Nova Iorque gosta de praticar jardinagem como hobby, vem anualmente ao seu estado natal, e quase não é reconhecido nas poucas viagens que faz pro resto do Brasil. Mas esta falta de um reconhecimento maior em seu país de origem não lhe ofende. Diz que tem planos sim de voltar uma dia a morar por aqui, mas seu sonho maior é fundar uma marca com seu próprio nome. Alguém dúvida?!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Inspirações da Maria: Diane Von Furstenberg

Chic e vitoriosa. Assim podemos definir Diane von Furstenberg. Uma gigante da moda mundial, mas que não cansa de trabalhar e apostar em novas tendências, e que não a toa é presidente do respeitado CFDA (Council of Fashion Designers of America).


Nascida na Bélgica como Diane Simone Michelle Halfin, em uma família judaica de classe media alta, a estilista é filha de uma sobrevivente do Holocausto. Sua mãe esteve em Auschwitz dezoito meses antes de dar a luz a Diane. Aos 18 anos conheceu o príncipe Egon von Furstenberg da alta nobreza alemã. Casaram-se em 1969 e tiveram dois filhos: o príncipe Alexander e a princesa Tatiana. A partir daí recebeu o título nobiliárquico de princesa von Furstenberg. Apesar de divorcia-se em 1972 e perder o título, Diane manteve o direito de usar o sobrenome caso quisesse, e assim o manteve para a sua vida profissional.

Desde o nascimento de sua filha, von Furstenbeg já tinha residência em Nova Iorque. E foi lá que se estabeleceu de vez. Investiu na área da moda e nos anos 70 foi alavancada a posição de destaque entre os melhores do mundo por causa de uma criação icônica: o wrap dress, ou vestido envelope para nós brasileiras! Peça prática, versátil,e extremamente feminina com seu decote profundo em V e mais ajustado ao corpo. Virou a marca de uma década e um curinga nos guarda-roupas femininos até hoje - afinal, quem nunca teve um?!


Sua marca hoje é uma das queridinhas dos fashionistas. Mulheres poderosas como Sarah Jessica Parker, Eva Longoria e Jessica Alba são constantemente vistas usando suas criações. Sua empresa também foi responsável por lançar tendências, como os óculos redondinhos que desde 2011 vem sendo os queridinhos de muita gente por aí. Mas apesar de todo sucesso, a designer não para. Seu foco agora são os acessórios.

Desde 2005 Diane tem uma certa ligação com o Brasil, quando lançou a coleção Diane von Furstenberg by H. Stern, mas foi em 2011, quando esteve em São Paulo para o Hot Luxury, uma conferência sobre luxo organizada pelo jornal International Heral Tribune, que revelou quais seriam suas estratégias para os próximos anos. Concentrar toda a sua atenção para as seis irmãs: sapatos, bolsas, lenços, joias, perfumes e cosméticos. Segundo a própria Diane, apesar dela ter uma marca de luxo bem-sucedida, são os acessórios que representam mais da metade das vendas e que são responsáveis por atrair novos clientes, mesmo aqueles que não podem pagar por peças do vestuário com custo elevado, mas podem consumir produtos mais democráticos e acessíveis. "Os acessórios estão para os looks como a pontuação para as frases. Você pode ter as palavras certas, mas são as vírgulas e os pontos que aperfeiçoam o sentido da mensagem."



Foi neste mesmo evento que ela mostrou o quanto seu timimng ainda é perfeito. Fã confessa da internet, von Furstenberg tem o costume de ir pra cama com o seu tablet. Deste vício surgiu a ideia de fazer uma bolsa em que o uso do aparelho ficasse mais confortável para a mulher. Daí surgiu a Harper's Connect Day Bag, uma linda bolsa - que existe em preto, marrom e estampa de onçinha - que possui um compartimento de entrada para tablets, assim você pode usar o aparelho e mexer na tela sem tirá-lo da bolsa. Ao aparecer no Hot Luxury com sua it bag de onçinha, despertou o desejo das blogueiras e a curiosidade da mídia.

Sua loja no Shopping Iguatemi em São Paulo é a segunda maior do mundo da marca, ficando atrás somente da loja de Nova Iorque. E é lá que ela revelou outros planos pro futuro: criar uma linha de sapatos de salto glamourosos e confortáveis, que permitam as mulheres ficarem lindas e mesmo assim andarem quilômetros. Existe alguém que dúvida da capacidade desta criadora nata? ;)



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Inspirações da Maria: Viktor & Rolf

Para esta dupla o desfile é uma forma de contar uma história. Por isso eles são não apenas celebridades do mercado da moda, mas também estrelas do mundo das artes, com seus desfiles que saem totalmente do padrão e se aproximam mais de performances de encher os olhos.


Viktor & Rolf vivem em Amsterdã, e é lá que mantêm seu quartel general de criações. Apresentam quatro coleções por ano e possuem três fragrâncias comercialmente bem-sucedidas. Mas é a constante linha tênue entre moda e arte que eles mantem em suas peças que causam tanto burburinho ao seu redor. Com apenas dez anos de carreira, em 2003, ganharam uma exposição retrospectiva no Louvre de Paris.

Ambos defendem que foram atraídos, há 19 anos atrás, para o mundo da moda por causa do glamour. Atualmente a visão dos dois amadureceu. Não escondem de ninguém que sofrem pressão sim no quesito prazos a serem cumpridos e resultados comerciais, mas é a constante ligação com a arte que torna o trabalho mais leve.


Para criadores exímios até o ritmo alucinado da moda também serve de inspiração. Segundo as palavras do próprio Viktor "de um lado é muito ruim a tensão da obrigatoriedade de criar. Mas, por outro, é estimulante. Estamos constantemente no meio dos dois polos. Em uma temporada, podemos sentir uma dificuldade imensa e, em outra, não. Realizamos um desfile baseados na palavra 'não' que dizia basicamente isso. No momento estávamos esgotados."

A sobriedade na forma de ver o mercado em que estão inseridos e a criatividade na hora de criar faz de Viktor & Rolf celebridades internacionais. Afinal, quem teria a visão que dá pra ser artístico, comercial e conceitual ao mesmo tempo, usufruindo o melhor dos três mundos?


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Inspirações da Maria: Oskar Metsavaht

Ele, o gaúcho mais carioca que existe, é tido como o criador do easy going típico do Rio de Janeiro e dono de uma visão do mercado de moda brilhante, mas sem afetação.


Oskar Metsavaht tem o dom da palavra. Sabe se expressar, vender seu produto (e a imagem dele!) e, principalmente, sabe criá-lo. Criador da Osklen em 1989, já foi questionado de não ser estilista uma vez que não sabe desenhar. Ele mesmo rebate esta acusação: "muita gente diz que, por não saber desenhar, não sou estilista. Mas proponho todo o imaginário das coleções. Só não passo para o papel."

Ele é quem indica os temas e referências de cada coleção. Depois destes escolhidos, vem o trabalho em parceria com a equipe de estilo, que definirá como a coleção será e em que tendências estará baseada, para não haver o risco das peças ficarem muito conceituais. Na Osklen o trabalho flui de acordo com a imagem que Oskar traça. Esta linha é fruto da equipe completa montada "as sombras" da empresa. A empresa possuí desde seus próprios designers gráficos até os arquitetos das lojas.

Atualmente, além de dezenas de lojas espalhadas no Brasil, a marca também possuí lojas em Nova Iorque, Miami, Milão, Roma e Tóquio. O site internacional de tendências WSGN põe a Osklen entre as dez marcas de roupas mais bacanas do mundo e Metsavaht foi o primeiro estilista brasileiro a receber uma reportagem de página inteira na Vogue norte-americana.

Em Fevereiro de 2010 o atelier da Osklen, um casarão em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, pegou fogo. No lugar de se lamentar, o acidente inspirou Oskar a revisitar toda a sua trajetória. Três dias depois do acontecido, os trabalhos no lugar foram retomados na medida do possível.


Mas o olho pra moda do garoto natural de Caxias do Sul começou a se desenvolver cedo. Entre seus fragmentos de memórias de infância estão imagens da mãe sempre elegante, que vestia Courrèges, e da boutique que havia na frente da sua casa e vendia peças Pucci. Aos 23 anos foi fazer residência médica no Hospital Miguel Couto no Rio de Janeiro. Se encantou pela cidade e não pensou mais em voltar pra sua terra natal. Fã declarado do Arpoador, construíu a imagem da sua marca baseada em uma frase "United Kingdon of Ipanema".

Metsavath vê inspiração nas mulheres. Mas claro que para um criador extraordinário, a mulher que o inspira também é única. É uma mistura de elegância natural com atletismo, sem necessariamente ser esportiva. Uma mulher que sabe o que fica bem em seu corpo sem ser exatamente uma fashionista.

Há pouco tempo atrás criou a OM.ART, agência de criação responsável por criar projetos paralelos a Osklen. Foi da OM.ART que saiu a parceria com a Riachuelo. No quesito designers de primeira + fast-fashion Oskar dá uma opinião acertiva. Quanto mais pessoas estiverem usando suas roupas, melhor! É uma democratização do design. Mas democratização realista, feita de acordo com o poder de barganha do consumidor final e da destinação do produto. As parcerias propõem uma democratização positiva, mas na Osklen mesmo, segundo seu próprio criador, os preços não podem ser mais baixos poque devido a toda uma atmosfera cuidadosamente construída em torno das peças, há pesquisa e materias muito caros por trás.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Inspirações da Maria: it-girls (parte 2)

De mulheres poderosas nunca cansamos, não?! Aquelas que apesar da pouca idade, suas escolhas e atitudes nos inspiram. Aqui a Maria traz uma seleção de mais meninas poderosas na área em que atuam e que nós amamos nos inspirar!




As gêmeas sauditas Sama e Haya Abu Khadra são compradoras de luxo da loja da família, The Art of Living. Por causa do negócio de moda em que trabalham, frequentam a semana de moda de Paris desde que tinham 15 anos. São famosas pela simpatia, pelos cabelos encaracolados e ruivos e por comprarem pra elas quase tudo que veem nas passarelas, antes mesmo dos produtos chegarem na loja de seus pais. Em Paris, as irmãs Khadra são conhecidas como as difusoras do novo hi-low, uma vez que misturam peças de magazines com a mais pura alta-costura.


Shala Monroque é uma blogueira e trend setter de 33 anos responsável pela reinvenção do tropical chic. Ex editora da revista POP, hoje Monroque é conselheira da Gagosian Gallery... Não é à toa, uma vez que seu namorado é o bilionário Larry Gagosian, dono da rede de galerias. Leva uma vida cercada de viagens internacionais e sempre é vista na linha de frente dos desfiles da Semana de Moda de Paris. Também não é a toa que a vemos por aí sempre com uma peça Prada. Amiga íntima de Miuccia Prada, Shala hoje é considerada musa inspiradora e embaixadora não oficial da marca.


Margerita Missoni é a herdeira de 29 da gigante Missoni, marca fundada pelo seus avôs. Criada no interior da Itália e acostumada a viajar nos fins-de-semana pra Milão, Margerita cursou Filosofia na Columbia University. Figura entre as mulheres mais bem vestidas do mundo pela sua beauty simples: maquiagem somente para corrigir, cabelos ao vento ou presos em coques e faixas feitos por ela mesma, peças Missoni (é claro!) e acessórios poderosos. Atualmente está casada com o piloto de corridas Eugenio Amos e vive em Nova Iorque.


Charlotte Casiraghi é a quarta na linha de sucessão do trono de Mônaco e neta da princesa Grace, ou simplesmente Grace Kelly. Hoje, com 26 anos, se divide entre a carreira de jornalismo, os compromissos da família real e sua paixão pelas disputas equestres. Seu estilo, que mistura artigos de tendência com peças de alfaiataria já é uma marca registrada. Atualmente é embaixadora da maison Gucci.


Charlotte Olympia Dellal é filha da famosa ex-modelo brasileira Andrea Dellal e do milionário Guy Dellal. Cresceu em Londres e lá estudou moda. Dona de um estilo irreverente e com um toque vintage, hoje mantêm uma empresa de calçados, a Charlotte Olympia, que começou como um projeto de faculdade e possui como marca registrada os saltos vertiginosos. Sua embaixadora também é sua melhor amiga, Olivia Palermo. Hoje coleciona experiência e já trabalhou para a Ungaro e para Giambattista Valli. Diga-se de passagem, lembram que ela é prima de Harley Vieira Newton?



Olivia Palermo é uma socialite, atriz e designer norte-americana. Filha de um milionário do ramo imobiliário, Olivia já trabalhou como RP tanto da marca Diane von Furstenberg como da revista Elle, mas alcançou a fama ao estrelar o reality show The City, que mostrava seu dia-a-dia em Nova Iorque. Seu estilo é definido como uma mistura do clássico e do romântico. Tudo o que usa, e principalmente seus cortes de cabelo são imitados por milhares de mulheres ao redor do mundo. Atualmente, Palermo desenvolve joias junto com sua amiga Roberta Freeymann.