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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Maria mostra: Ira Trevisan e Heart Heart Heart

Você pode até não conhecer a Ira Trevisan, mas te garantimos que ela representa muito bem o Brasil lá fora. Então, vamos saber um pouquinho mais sobre ela?


Iracema Trevisan Carneiro podia ser só mais uma menina natural de Poços de Caldas, mas desde pequena se mostrou muito curiosa e inquieta. Prova disto foi o verdadeiro fascínio que desenvolveu pelas roupas dos pilotos de motocross que circulavam pela oficina do pai. Do interior de Minas Gerais saiu direto pra faculdade de moda na Santa Marcelina e pro estágio na empresa de Alexandre Herchcovitch. A estagiária evoluiu pra assistente direta do estilista e trabalhando pra ele permaneceu por cinco anos.

Ainda no início dos anos 2000 Ira, como gosta de ser chamada, se afastou da moda e deu ao mundo da música um verdadeiro presente: a banda Cansei de Ser Sexy, que depois virou somente CSS. Você pode até não ter parado pra escutar nada deles, mas acredite que o sucesso que eles fizeram no cenário indie-electro tá em escala mundial!


Mesmo sendo uma das fundadoras da banda, Trevisan resolveu se afastar da banda em 2008 e voltar ao estilismo. Fez as malas pra Paris e resolveu se dedicar aos estudos da língua francesa e a pós-graduação no Institut Français de la Mode. E foi na volta as salas de aula que Iracema percebeu uma nova paixão: o desenvolvimento de estampas. Conseguiu um estágio de seis meses na Lanvin e paralelamente criou a B. Heart, uma marca de lenços de sedas com estampas exclusivas.

A B. Heart evoluiu para a Heart Heart Heart, com os mesmos lenços de seda com estampas criadas por Iracema Trevisan, mas o conceito do produto evoluiu. Peças com bordados de miçangas, correntes ou até placas de madeiras mesclando-se aos padrões do tecido. Há também o uso de efeitos 3D através da costura de pedaçinhos de tecidos de cores diferentes sobrepostos.


Foi o lançamento da Heart Heart Heart, juntamente com a amizade que já tinha com Carol Lim que a lançou para o time da Kenzo onde trabalha até hoje como uma freelancer no setor de desenvolvimento de estampas. E que parceria mais que certeira! A marca japonesa Kenzo, sob a direção criativa de Carol e Humberto Leon, sofreu uma verdadeira renovação. Com pegada mais jovem, as estampas vibrantes de Ira caíram como uma luva.

Só que mesmo sendo um nome quente na atual cena parisiense Trevisan leva uma vida pacata. Mora em um bairro aos pés da Torre Eiffel, e jura que vive do trabalho pra casa. Divide apartamento com o namorado, o músico da banda Air, Nicolas Godin. E não esconde sua eterna inquietação. Acabou de desenvolver uma linha de papéis de parede cheia de referências do mundo das artes e admite que sonha em evoluir artisticamente e desenvolver materiais para decoração.

Abaixo deixamos vocês com algumas das peças da Heart Heart Heart.




quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Inspirações da Maria: Francisco Costa

Bem mineirinho! Apesar de viver a 27 anos nos Estados Unidos, Francisco Costa ama feijão com arroz, compra pão-de queijo numa loja de brasileiros em Nova Iorque, e  mais importante de tudo, marcou seu nome na história da moda mundial.


Francisco é natural de Guarani, interior de Minas Gerais. Como seus pais possuíam uma fábrica de roupas infantis, cresceu entre moldes e tesoura, e seguir na área era a decisão mais natural a se tomar. Em 1985, com 19 anos e e sem falar uma palavra em inglês, mudou-se pros Estados Unidos. Recém chegado na cidade descobriu que os cursos noturnos da FIT (Fashion Institute of Tecnology) eram mais baratos, e não perdeu tempo em fazer sua matrícula.

Com pouco tempo depois descobriu que uma associação italiana de tecidos estava promovendo um concurso entre os alunos da escola. Costa se inscreveu e fez seu trabalho baseado no figurino dos atores Marcello Mastroinanni e Anita Ekberg no filme A Doce Vida (La Dolce Vita). Com esta coleção o estilista chamou a tenção tanto dos organizadores do concurso como dos responsáveis pela escola, e ganhou uma bolsa de estudos completa.


Começou a carreira trabalhando pra um dos melhores: Oscar de La Renta (falando nele, sabiam que o Council of Fashion Designers of America, em que falamos neste post aqui sobre a Diane von Furstenberg, também já teve de La Renta como presidente?!). Com ele aprendeu a fazer roupas extremamente bem feitas e clássicas, que valorizavam o corpo da mulher de uma forma romântica.

Depois seguiu pra trabalhar na Gucci na era Tom Ford (também já falamos um pouquinho desta parceria entre Gucci e Ford aqui). Com Ford a linha de criação, e consequentemente de aprendizado pra Francisco, era outra. A imagem era o carro-chefe. As peças eram comerciais, mas extremamente sedutoras.


Em 2003 foi convidado pelo Calvin Klein em pessoa para ser o diretor criativo da marca norte-americana, uma das mais famosas do mundo. Apesar do medo inicial, sua primeira coleção foi recebida por uma série de críticas positivas e encorajadoras. Imprimiu cor na marca, mas sem deixar de lado as características que a CK já tinha, um toque esportivo e um minimalismo sutil. Suas peças viram sucesso certeiro e passaram a ser corriqueiramente usadas por beldades como Liv Tyler, Scarlet Johansson, as irmãs Olsen, Katie Holmes, Michelle Obama, Hilary Swank, Uma Thurman e Eva Mendes.

Eva é sua amiga próximas, mas Costa não nega que ter uma celebridade vestindo uma de suas criações gera uma atenção mais que positiva pra marca e pro produto. "As pessoas ligam na loja pedindo o mesmo vestido que ela usa no tapete vermelho do Oscar. Muitas sonham em participar daquele momento, em ser aquela estrela."


Com toda esta repercussão, Francisco Costa não poderia deixar de ser um criador premiado. Ganhou o prêmio como designer feminino do ano, concedido pelo CFDA, em 2006 e 2008, e o National Designer Award como estilista em 2009.

Apesar de todo o sucesso, leva uma vida discreta. Em Nova Iorque gosta de praticar jardinagem como hobby, vem anualmente ao seu estado natal, e quase não é reconhecido nas poucas viagens que faz pro resto do Brasil. Mas esta falta de um reconhecimento maior em seu país de origem não lhe ofende. Diz que tem planos sim de voltar uma dia a morar por aqui, mas seu sonho maior é fundar uma marca com seu próprio nome. Alguém dúvida?!