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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Inspirações da Maria: John Casablancas

Hoje resolvemos falar um pouquinho do fundador da Agência Elite, a maior e mais famosa agência de modelos da história. Mostrar a importância que sua empresa teve para o mundo da moda, e falar de seu gosto por coisas belas e simples até seus últimos dias em que lutou bravamente contra um câncer. Bem, se você gosta de moda, deve entender a importância que as modelos tem pra esta areá, e com certeza Linda Evangelista ou Cindy Crawford não seriam quem foram sem a ajuda de John Casablancas.


John nasceu em Nona Iorque e era herdeiro de uma rica tecelagem de origem catalã. Desde novo frequentava as mais altas rodas do jet-setter internacional. Estudou num dos colégios internos mais bem conceituados do mundo, o suíço Le Rosey e sua irmã Sylvia Casablancas foi namorada de Aga Khan, líder espiritual e religioso e nome que figurava na lista dos homens mais ricos do planeta. Foi no Le Rosey que Casablancas aprendeu a gostar de luxo e admirar belas mulheres. Ainda na época de escola recebeu a fama de ser mais sensualista do que intelectual, uma vez que namorava uma garota atrás da outra, principalmente nas férias de verão. Adorava viajar e por isso fez aulas em diversas universidades: na Genebra, em Saragoça e também cursou língua e civilização alemã na Baviera. Numa de suas viagens internacionais veio parar pela primeira vez no Brasil. Era a década de 60, e o jovem John aceitou o emprego de administrador na fábrica da Coca-Cola no Nordeste. Apaixonou-se pela feijoada e pela caipirinha, e também por uma francesa que morava aqui, Marie-Christine. Com ela teve sua primeira filha, Cécile, designer de joias que mora no Recife.

Com seu espírito de nunca parar, sua temporada no Brasil, e o casamento também, não duraram muito. No final da década de 60 já estava em Paris e lá conheceu a sua segunda mulher e mãe de seu segundo filho, Jeanette Christiansen. Jeanette era ex-miss Dinamarca, e com ele tiveram Julian Casblancas, sim, o músico que ficou famoso com a banda The Strokes. Juntos, o casal fundou a Élysée 3, primeira agência de modelos de John. Sua mulher administrava o negócio na sede na capital francesa, e Casablancas rodava o mundo procurando meninas e levando-as pra França. Mas o negócio, que começou recheado de novos rostos com belezas invejáveis, logo fechou devido a fuga de suas modelos pra agências da concorrência. Foi aí que Julian descobriu que sua recepcionista avisava sobre os news faces da Élysée 3 pras outras agências, que logo tratavam de fazer convites irrecusáveis as garotas. A este episódio Casablancas deu o nome de aprendizado da traição, e se alguém tinha a capacidade de aprender com os erros, bem este era John Casablancas. Em 1972 fundou a Elite em Paris e ao mesmo tempo abriu a filial em Nova Iorque, e ganhou fama por ser um competidor implacável.


Mas o sucesso da Elite não veio só da fama de não dar espaço a concorrência de Casablancas. Além de seu talento pra achar rostos bonitos, ele sabia reconhecer se aquele rosto belo vingaria. Segundo as palavras de John "a diferença entre uma mulher bonita e uma que será modelo famosa é que a segunda tem uma luz especial; ou é mais sexy, ou tem uma elegância fora do comum, ou tem uma personalidade que vai encantar a todos, ou reúne todos esses atributos numa só pessoa, que é geralmente o caso das supermodelos". Somado a estes dois fatores tinha a nova visão que o empresário trouxe para o negócio: passou a traçar um plano de carreira para os modelos onde as aparições não poderiam ocorrer de forma banalizada. Com aparições mais raras os cachês aumentavam. Fora isso profissionalizou os books e os castings.

Assim descobriu e alavancou a níveis internacionais ninguém menos que Naomi Campbell, Claudia Schiffer, as já citadas acima Cindy Crawford e Linda Evangelista, e Heidi Klum, dentre muitas outras. Também foi o responsável pelo início da carreira de atrizes como Cameron Diaz, Uma Thurman, Kirsten Dunst, Isabella Rossellini e Natassja Kinski; fora o fato de que foi ele o primeiro a exportar a beleza brasileira pro cenário da moda internacional com nomes como Adriana Lima, Ana Beatriz Barros e Isabelli Fontana.


Casablancas também foi o criador dos famosos concursos Look of the Year, evento que rodava as cidades do mundo e transformava uma simples garota em estrela internacional do dia pra noite. Mas com tanto sucesso também vieram as crises. A primeira ocorreu no final dos anos 90 quando, depois do surgimento da era das super modelos (fato que já falamos um pouquinho aqui) as modelos consideradas tops passaram a exigir o tratamento igual a de uma celebridade, não mais somente como uma simples modelo. Assim muitas migraram pra IMG, agência especializada em gerir a carreira de famosos. Mas a gota d'água foi quando a sua mais nova pupila, Gisele Bünchen, trocou a Elite pela IMG, levando consigo sua booker, isto tudo às vésperas de assinar um contrato com a super poderosa Victoria's Secrets. Na mesma semana Gisele recebeu o prêmio de modelo do ano em Nova Iorque e não agradeceu a John Casablancas e nem citou seu nome. Citou somente os novos agentes com quem estava trabalhando.

Ainda no mesmo ano, em um documentário da rede BBC, foi feita a denúncia de executivos da Elite em festas regadas a álcool e drogas com as suas agenciadas. Apesar do escândalo não ter prova alguma contra a pessoa de John, e dele ter, logo em seguida, afastado todos os envolvidos, sua fama de namorador voltou a tona. O motivo de seu divórcio de Jeanette, que aconteceu em 1983 devido ao relacionamento de Casablancas, que na época tinha 41 naos, com uma de suas new faces, Stephanie Seymour de 16 anos, tornou-se público.

Em 2000, um ano após todos estes escândalos, se viu obrigado a vender a sua parte na agência, mas entrou no que veio a considerar a melhor parte da sua vida: mudou-se pra Miami e já casado com a brasileira Aline Wermelinger, vencedora do Look of the Year de 1992, se dedicava a criar os três filhos mais novos  que teve com Aline: John Júnior, Fernando Augusto e Nina, e os netos de sua irmã, Isaac e Giacomo. Era fã incondicional de Pelé, mas foi convencido pela mulher pra virar a casa pelo Flamengo e não perdia um jogo do time.

Mas apesar desta fase de sossego, onde abandonou o cigarro e a fama de Don Juan, tentou algumas vezes, mas sempre sem sucesso, reviver a Elite. Os tempos haviam mudado e a visão que John tinha não combinava mais com o mercado. Casablancas passou a defender que a beleza não devia ser prioridade em detrimento da saúde, que as meninas menores de 16 anos não deveriam ter autorização pra trabalhar, e que drogas, álcool e prostituição deviam ser expressamente proibidas no meio. Tais declarações só o fez parecer, aos olhos de muitos, como um crítico raivoso que não sabia aceitar que seu período já havia passado.


De arrependimentos John admite só ter dois: nunca ter aprendido a tocar vilão e ter fumado, o que lhe causou um câncer agressivo nas cordas vocais que também se espalhou para os pulmões, ossos a até pelo cérebro. Casablanacas enfrentou a doença de forma valente e se submeteu a diversos tratamentos penosos. Como último pedido quis que suas cinzas fossem espalhadas na propriedade dos pai de Aline no interior do Rio de Janeiro. Segundo ele era o segundo lugar mais bonito do mundo, atrás somente de Paris. John morreu na sua casa no Rio, cercado pela mulher e pelos cinco filhos. Na cerimônia na casa dos sogros, do jeito que pediu, estavam também seus dois sobrinhos-netos, que moram na Europa e os amigos mais íntimos.

Antes de morrer John Casablancas gravava depoimentos pra um longa que está sendo produzido sobre a sua história e as inúmeras carreiras que ajudou a criar definindo um período no mercado da moda.


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Inspirações da Maria: Linda Evangelista

Sabe quando dizem que o mundo da moda é responsável por criar muita polêmica que existe por aí? Pois bem, se depender da pessoa - literalmente Linda - que a Maria hoje vai falar um pouquinho, pode apostar que é verdade.


Linda Evangelista é natural de Ontário, Canadá. Aos 12 anos, já havia decidido que seria modelo, então aos 13 anos se inscreveu em um concurso de beleza para adolescentes. Linda não foi a escolhida, mas ganhou o que queria: o passaporte de entrada para o mundo da moda. Entre os jurados, estava um olheiro de uma agência de modelos de Toronto, e advinha por quem ele se encantou? Pelos olhos azuis-esverdeados e o rosto estonteante da jovem Evangelista.

Aos 16 anos foi sua vez de ser descoberta por um olheiro da famosa agência Elite, e aos 19 mudou-se pra Nova Iorque com a promessa feita aos pais de que voltaria pra casa após um ano caso a carreira não vingasse. Vários trabalhos vieram, embora nenhum de grande renome no mundo da moda. Mesmo assim, em 1988 Linda estava com 20 contratos assinados.


Foi neste período que aconteceu a grande guinada que Evangelista tanto esperava. Seu atrativo maior era a beleza: olhos e rosto irresistíveis, corpo escultural e cabelos longos cor de chocolate. Foi a pedido do fotógrafo Peter Lindbergh que o cabeleireiro Julien d’Ys cortou os cabelos de Linda. Era um corte curtinho, com as pontas desfiadas e nuca a mostra. A princípio, Evangelista adorou a mudança, mas quando viu 18 dos seus 20 contratos serem cancelados, ligou aos prantos para o amigo e também fotógrafo de moda, Stevem Meisel, para buscar conselhos e conforto. Dois meses depois, fez o que as modelos chamam de o Grand Slam da moda: foi capa da Vogue América, Itália, França e Reino Unido. Ganhou o título de supermodelo, termo recém-surgido na época e que servia pra designar as modelos que ganhavam um ar de quase deusas: cachês milionários, status de celebridade e o reconhecimento como ícones de beleza de uma geração. Difícil é imaginar depois de Linda Evangelista uma mulher que no início dos anos 90 não quisesse um corte de cabelo curto com a nuca a mostra.

Tendo ou não como ponto de partida o corte de cabelo de Linda, surgiu uma nova era no mundo da moda. O boom das supermodelos e a criação do quinteto fantástico: o grupo formado pelas norte americanas Christy Turlington e Cindy Crawford, pela britânica Naomi Campbell e pela alemã Claudia Schiffer, que a partir do início dos anos 90 transformou o poder que a imagem de uma modelo pode exercer.


A proporção que a fama alcançava Evangelista, começava também a surgir as polêmicas que envolveriam suas declarações públicas e até mesmo sua vida pessoal. A primeira de suas polêmicas é uma máxima feita logo no início do seu sucesso estrondoso. Em uma declaração soltou “Não nos levantamos da cama por menos de 10 mil dólares”, em referência aos contratos milionários pagos as supermodelos. A realidade é que mesmo sendo cachês escandalosos, o sucesso das campanhas era certeiro.

A segunda polêmica em que se viu envolvida foi quando a modelo completou 41 anos. Grávida de seu filho, Augustin-James, e ainda muito requisitada por revistas, Linda declarou que mesmo durante o período da gestação era a favor de procedimentos cosméticos como o uso da toxina botulínica e de tratamentos para estimular a produção de colágeno. Um tabu, já que o botox em alguns casos é visto como vilão, principalmente pra quem trabalha com a imagem, uma vez que seu uso em exagero congela as feições.


Sua última polêmica aconteceu em 2010 e envolve seu filho e a briga judicial com o pai do menino, François-Henri Pinault (pra quem não sabe, muitas das maisons e grandes marcas do mundo da moda pertencem a grupos. O conglomerado PPR, que François é herdeiro e CEO, é “dono” de marcas como Puma, Gucci, Stella McCartney, Alexander McQueen, Yves Saint-Laurent, Bottega Veneta, dentre outras). Foi ao pai de seu herdeiro que Evangelista entrou com um pedido de 46 mil dólares mensais de pensão, ou mais de meio milhão de dólares por ano. É o pedido de pensão mais caro já dado entrada na Corte de Família de Manhattan.

Polêmicas a parte, difícil é definir quais seriam os padrões de moda e beleza e até mesmo como seria a cultura pop de hoje sem o quinteto fantástico e Linda Evagelista. Será que Gisele Bündchen seria uma ubermodel? Incrível é ver o carisma que tais mulheres tinham. Com exceção de Claudia Schiffer, é possível ver todas as supermodelos juntas no videoclipe mais fashion de todos os tempos: Freedom de George Michael!


Atualmente, Linda Evangelista tenta chamar atenção pra outras coisas. Em uma entrevista realizada em 2005 para o jornal britânico The Telegraph a modelo tentava chamar atenção pra campanhas contra a AIDS no qual faz parte. Em um tom de brincadeira e fazendo alusão a sua máxima dos anos 90 soltou: “Hoje saio da cama por razões muito melhores.”