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sábado, 10 de maio de 2014

Inspirações da Maria: Zuzu Angel

Pra quem é apaixonado pela história da moda, e ama estudar um pouquinho as influências que esta área sofre ou exerce, consegue compreender rapidinho como a moda, que é uma forma de expressão, acompanha as grandes mudanças políticas e sociais. Não acredita? E se citarmos o New Look de Christian Dior? O estilista por trás da maison criou uma imagem de mulher super romântica e feminina, com metragens e mais metragens de tecido, depois dos anos de dificuldade da Segunda Guerra Mundial. E as roupas coloridas e alegres dos hippies dos anos 60 juntamente com o Flower Power? Uma lembrança de que o mundo precisava de mais amor ao próximo e tolerância, no lugar de grandes conflitos como a Guerra do Vietnã.


A Zuzu Angel é a soma da moda com viés político no cenário nacional. A estilista enaltecia os elementos culturais do Brasil, tinha visibilidade internacional, e foi um grande nome contra a ditadura militar. E nada mais justo que mostrar um pouquinho da vida desta mulher. Mãe, empreendedora, e tema da Ocupação Zuzu Angel, exposição que se encerra 11 de Maio, Dia das Mães, no Itaú Cultural de São Paulo e que faz uma retrospectiva da vida desta criadora.

Zuleika de Sousa Netto nasceu em Curvelo, município no interior de Minas Gerais. Ainda na juventude mudou-se para a Bahia. Neste ponto já criava e costurava, fazendo roupas para as primas. Lá conheceu o norte-americano Norman Angel Jones. Casaram e a mineira virou Zuzu Angel ao adotar o sobrenome do marido. O casal viveu alguns anos no Nordeste, onde Zuzu entrou em contato com as chitas e rendas nacionais.


Alguns anos depois a senhora Angel já havia fixado residência na cidade do Rio de Janeiro. Há pouco separada, costurava para ajudar o orçamento familiar. Aconteceu que sua mistura de rendas com estampas coloridas com um arzinho naïf agradavam a uma clientela cada vez maior. Ao invés de copiar os padrões europeus, criava tecidos exclusivos. Investiu em mídia, criou logomarca e abriu loja própria. Assim, mostrou todo o seu lado empreendedor e foi considerada uma visionária no mercado nacional. Acredita que Zuzu até desenvolveu uma estratégia de colocar seus produtos em lojas norte-americanas? Foi assim que ela teve peças nas araras da Bergdorf Goodman e da Saks, e conquistou clientes como a atriz Kim Novak, a filha do prefeito de Nova Iorque Kathy Lindsay, e a bailarina inglesa Margot Fonteyn. No Brasil vestia Yolanda Castelo Branco, mulher do presidente Arthur Castelo Branco, e sua amiga e garota-propaganda Elke Maravilha.

Mas vieram os anos de chumbo, e seu filho, Stuart Angel Jones, foi considerado um desaparecido político após ser preso e torturado pelo regime militar. E como mãe mostrou seu lado militante também. Questionou o desaparecimento em todas as esferas a seu alcance. Enviou cartas a organizações internacionais de direitos humanos, e usou sua moda como meio de protesto. Em seu desfile realizado em Nova Iorque em 1971, substituiu suas tradicionais estampas cheias de passarinhos, borboletas e flores com cores muito vivas por anjnhos amordaçados, meninos aprisionados e canhões disparando. Tentou, de todas as formas, chamar a atenção do mundo pra o que acontecia no Brasil.


Na madrugada de 14 de Abril de 1976 aconteceu o que muitos do círculo da estilista temiam. Angel morreu em um acidente de carro na Estrada da Gávea. Semanas antes do acidente , Zuzu deixou com amigos, inclusive com o músico Chico Buarque de Hollanda, um envelope com um documento que deveria ser publicado caso algo viesse a ocorrer com ela. Junto ao envelope havia o bilhete: "Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho".

Mas foi somente em 1998 que a Comissão Especial dos Desaparecidos Políticos, ao julgar o caso, reconheceu o regime militar como responsável pela morte de Angel. Sua vida e obra inspirou música, filme, e coleções de estilistas como Ronaldo Fraga e Tufi Duek. Hoje a memória da estilista é preservada através do Instituto Zuzu Angel, entidade carioca presidida por uma de suas filhas, Hildegard Angel.




quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Musas da Maria: Jean Shrimpton

A jovem britânica do interior Jean Rosemary Shrimpton começou a carreira em 1960 com apenas 18 anos, mas sempre foi conhecida pelo belo par de olhos azuis, pela disciplina, e por não se encantar com o glamour.


Jean Shrimpton nasceu em High Wycombe, na época cidade pequena e rural. Foi considerada o ícone de beleza dos anos 60 e a primeira top model da história. Engraçado é que, até certo ponto, podia ser considerada infeliz em sua profissão. Atualmente, para compensar seus anos de estúdios, capas de revistas e viagens internacionais, vive reclusa. Em uma rara aparição em Abril de 2011 cedeu uma entrevista para o The Guardian em que contava o quanto era infeliz com a rotina de sessões fotográficas e aparições públicas. "Não gostava nem mesmo de ser fotografada. O que aconteceu é que eu era muito boa naquilo. A moda é um ambiente de muita pressão e cheia de pessoas com problemas."

Contudo, nada disso impediu que ela se tornasse um padrão estético da época: corpo esguio, sobrancelhas arqueadas, cabelos longos, olhos grandes e lábios carnudos. Nascia assim a figura da Chelsea girl, garota com estilo de adolescente e sex appeal de mulherão.


Sua conterrânea e contemporânea era a também esguia Twiggy, mas apesar de ambas serem magras, Shrimpton possuía curvas, um olhar com um certo tom de tristeza - seu charme! - e olheiras muito discretas (pra nós da Maria, o maior de seus charmes, uma vez que sua beleza era retratada de forma real já que não havia os rituais de retoque de fotos usado até com exagero nos dias atuais).

Foi eleita pelas consagradas revistas norte-americanas Newsweek, Time e Life como o rosto mais bonito do mundo. Mas provou não ter só beleza, e também muita personalidade. No Festival de Turfe da Primavera, na Austrália, foi convidada a fazer uma aparição usando um vestido de uma determinada marca que a patrocinou. Só que os organizadores não pensaram que com todo o seu 1,78m de altura o vestido ficasse curto, mostrando seus joelhos e parte da coxa. Também dispensou os complementos de uma perfeita toilette de uma dama nos anos 60 - luvas, chapéu e meias - e escandalizou a alta sociedade australiana. Chocada com a polêmica, mostrou o quanto é decidida depois de ser abordada por um repórter e soltar um "você deve se vestir para agradar apenas a si mesma."


Jean também foi musa de muitos homens. No início da carreira teve um relacionamento com o fotógrafo David Bailey, seu grande incentivador. A intensidade desta paixão era tão evidente que inspirou o cineasta italiano Michelangelo Antonioni a filmar Blow Up, longa de 1966 e um dos primeiros a retratar o mundo da moda.

Igualmente conhecido foi outro relacionamento seu, desta vez com o intelectual falido Heathcote Williams. Como já era uma modelo bem-sucedida, comprou uma casa que os dois dividiam e arcava com as despesas. Mas o amado ficou conhecido por encher a residência de amigos que usavam até o telefone sem nenhum escrúpulo.

Veio um terceiro relacionamento que deu o que falar. Namorou por sete anos Malcolm Richey, amigo do namorado anterior e que também era sustentado pela bela Jean. Não bastasse isso, a modelo também sustentava a esposa do namorado, a filha dele e a outra amante. Quando viu suas economias diminuírem, ligou pro seu agente e pediu trabalhos. Foi durante uma sessão em Portugual que notou que os melhores closes eram dados a sua parceira de trabalho, uma garota mais jovem. Percebeu assim que sua carreira chegava ao fim.


Juntou o resto de suas economias e abriu uma loja de antiguidades. Um dia, chamou a tenção de um cliente chamado Michael Cox. Michael divorciou-se da mulher e casou com Jean em 1979 no charmoso Abbey Hotel, em Cornwall. Pouco depois ficaram sabendo que a propriedade estava a venda e fecharam negócio. Fizeram de lá um lar pro seu único filho, Thaddeus. Atualmente, o hotel é conhecido por constantemente hospedar o amigo próximo David Bowie. Lá, nesta propriedade, vive cercada pela família e sem esconder de ninguém os famosos olhos azuis que encantaram o mundo.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Sonzinho da sexta: Ben L'Oncle Soul

Depois de alguns dias sem a nossa querida tag "sonzinho", hoje a Maria trás um cantor mais que querido da gente: Ben L'Oncle Soul.


Benjamin Duterde é um cantor francês de 28 anos. Nascido em 1984 em Tours, sempre almejou em ser cantor, com direito a contrato assinado pelo Motown, a famosa gravadora que tinha os maiores sucessos da soul music nos anos 60.

Benjamim formou-se em Belas Artes, mas começou a despontar no cenário musical quando, depois da graduação, começou a carreira profissional de músico em um grupo de gospel chamado Touraine Fitiavana. O grupo ia bem, mas seu primeiro destaque musical foi uma versão mais que descolada de Seven Nation Army do White Stripes. Em 2009 lançou seu primeiro trabalho, Soul Wash Lesson One. O álbum incluía seis músicas, inclusive Seven Nation Army!



Em 2010 foi a vez de outra música de Ben chamar atenção, Soulman. Além de ser um soul super gostoso de ouvir, nela Ben e seus dois dançarinos - conhecidos como The Soul Wash Boys - dançam durante a performance no mesmo estilo da famosa My Girl dos Temptations. No mesmo ano Duterde lançou seu segundo álbum também intitulado Ben L'Oncle Soul, e é deste álbum que saí a música que vamos escutar agora: Petite Soeur.


Ah, vale ressaltar duas curiosidades sobre Ben. O nome que faz referência a seu tio (Ben L'Oncle) é uma homenagem ao fato de quando garoto Duterde brincava com as gravatas borboletas do seu tio. Hoje as tais gravatinhas fazem parte do vestuário do artista, uma homenagem aos estilo dos músicos dos anos 50 e 60. E, quando enfim, conseguiu seu contrato tão sonhado com a Motown, Ben tatuou o símbolo da gravadora no pulso esquerdo. :)