domingo, 12 de janeiro de 2014

Maria mostra: cosméticos amigos

Desde o último mês de Outubro, com a invasão do Instituto Royal em São Roque no interior de São Paulo, vemos o assunto de testes em animais sendo abordado vez ou outra pela mídia. Para fins da medicina muitos defendem que tais testes são essenciais. Servem para dar segurança ao paciente e trazer evolução no tratamento de mais e mais doenças, como o câncer por exemplo. Bem, infelizmente, não tenho uma opinião formada sobre o assunto. Eu, a estilista que vos fala, não sou nenhuma estudiosa dos avanços da medicina, então, exatamente por não conhecer, não me sinto no direito de cobrar um fim imediato pra tal prática. Mas sonho sim com um dia que a ciência evoluíra e tais testes não sejam mais necessários. Se voltarmos ao século XVIII, por exemplo, quem iria acreditar que a medicina, um dia, teria padrões como esterilização e anestesia, práticas mais que corriqueiras nos dias atuais.

Agora, e a indústria cosmética? Se ela produz itens considerados "supérfluos" e não de primeira necessidade, será que os testes em animais são realmente necessários? Será que não dá pra substituí-los de alguma forma? Mais uma vez, não sou uma profunda conhecedora de ciências. Mas será que como consumidora, não dá pra saber um pouco mais antes de comprar aquele batom vermelho lindo? É exatamente sobre isto que venho questionar neste texto. Porque apesar de amar um xampu que deixe os cabelos super macios, um esmalte preto e um batom colorido, também quero saber se este produto que agrego tanto valor não está fazendo mal a coelhos, macacos, hamsters e até beagles, como no caso dos animais resgatados no instituto citado acima.

Depois de uma pesquisa pela web a sensação que fica é que a indústria da beleza vem se sensibilizando com o tema. Não é difícil achar marcas, inclusive nacionais, que abriram mão de testes em animais. E não somente isto: aboliram também matérias-primas em que o ciclo de produção também empregue tais práticas. Assim há abertura para práticas como a pesquisa in vitro com o emprego de células-tronco sendo adotadas. Tais células são uma excelente alternativa pois quando devidamente manipuladas, permitem obter células de diversos tecidos do organismo.

Só que vamos de encontro a uma outra barreira; a proteção. A Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, permite os testes em animais em produtos em seu estado preliminar. Os testes pré-clínicos verificam itens como teratogenicidade (a capacidade de gerar malformação congênita), carcinogenicidade (a propriedade da substância de provocar alterações que induzem ao câncer) e toxicologia (sim, cosméticos possuem químicos que devemos ficar de olho pra saber o grau de toxicidade). Já no seu estado final é permitido pela agência o uso de voluntários humanos, uma vez que a fórmula já pode ter contato com a pele. Todos os resultados dos testes que empregam bichos são enviados a Anvisa juntamente com a garantia de que seguiram a legislação nacional e as Boas Práticas de Laboratório (BLP), normas ditadas pela OMS, a Organização Mundial da Saúde.

Ok. Entendi que os testes são controlados por uma agência nacional que tem como função proteger o consumidor. Só que mesmo com empresas que usam testes em animais dentro das regras ditadas pelos órgãos nacionais e internacionais, e se eu não quiser utilizar produtos que dependam de animais sendo usados em laboratórios? Bem, aí só vai depender de nós, consumidores, pesquisar que empresas mais se adequam dentro das minhas necessidades e/ou prioridades, e boicotar as que não me pareçam certas em suas atitudes.

Depois de alguma pesquisa descobri que a gigante nacional Natura não envolve nenhum sacrifício animal no desenvolvimento de seus produtos. A empresa dispõe de modelos computacionais, pesquisa e revisão de dados publicados na literatura científica e os já falados testes in vitro. Processos similares também são utilizados pelo grupo Boticário - que engloba além da marca título, as marcas Eudora, The Beauty Box e Quem Disse, Berenice? - e outras nacionais como a Granado, que produz os produtos Granado Pharmácias/Phebo. A prova está aí de que dá sim pra fazer bem a vaidade humana e ao meio ambiente ao mesmo tempo. Mesmo sem os testes em animais O Boticário, por exemplo, não sofreu nenhum impacto na exportação de seus produtos para a Europa. Para quem não sabe desde 2004 a União Européia proibiu a experiência em animais para a produção de cosméticos, e desde 2009 lá é vetada a comercialização de itens que contenham ingredientes testados em animais.

Com esta proibição por parte da UE vemos mais uma vez que e possível sim produzir cosméticos "limpos". Gigantes mundiais que provavelmente fabricam muitos dos produtos que reinam em seus banheiros/penteadeiras, como a L'Óreal, abortaram os testes em animais e buscam cada vez mais se adaptarem ao cosméticos limpos. Agora, vale frisar, que mais uma vez também é papel do consumidor acompanhar as práticas adotadas pela empresa que fabrica os produtos que compramos. Aqui segue o link da lista, constantemente atualizada, mantida pelo site Vista-se, de empresas que utilizam técnicas que geram mal tratos em animais no Brasil ou no exterior. É uma lista mais ampla, que envolve da indústria de cosméticos a alimentícia, mas é muito legal pois você pode imprimir e levar até ao supermercado nas suas próximas compras. É uma forma legal de pensar que se não dá pra mudar o mundo de uma vez, pelo menos podemos repensar nas nossas ações e nos nossos hábitos de consumo, e no que eles geram. Também anexamos aqui a lista mantida pelo site da PEA - Projeto Esperança Animal - de empresas nacionais que não testam em animais.

Caso ainda haja alguma empresa que você quer conhecer melhor, você pode procura-lá neste link aqui no site da PETA internacional, que mantém dados atualizados sobre quem não testa, e quem testa e como. Ou ainda pode procurar pelo símbolo do coelhinho nas embalagens. Ele é uma garantia que o produto é livre de crueldade animal em sua produção.




quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Inspirações da Maria: Helena Rubinstein

Hoje resolvemos falar um pouquinho de uma mulher mais que inspiradora. Ok, ela não foi perfeita, mas afinal, quem é? Na verdade a pessoa de quem vamos falar hoje, Helena Rubinstein, venceu na vida economicamente, criou uma empresa e mais do que isso, um império de beleza. Não acredita? Pois continua lendo que você vai ver como a nossa bolsinha de maquiagem não seria do jeito que é hoje sem esta diva dos cosméticos.


Helena nasceu como Chaja em um bairro judeu de Cracóvia, na Polônia, em 1872. Ela era a mais velha de oito irmãs e filha de uma dona de casa e de um pequeno vendedor de combustível para lamparinas. Desde pequena mostrava que tinha uma determinação fora do comum. Ainda adolescente tentou casar com um goy, termo usado entre a comunidade judaica para os não judeus. Apesar da paixão, a família proibiu. Então a jovem Chaja bateu o pé e decidiu estudar medicina, mas foi novamente impedida pelos pais. Percebeu que se ficasse na casa da família não teria espaço pra ser o que queria e foi morar com uma tia em Viena. Ficou na capital austríaca até completar 24 anos quando foi morar com um tio que nem conhecia na Austrália. Tudo pra fugir de um casamento, arranjado pela família, com um judeu bem mais velho e rico.

Já na Oceania a jovem Rubinstein passou a trabalhar como babá e faxineira de mulheres da alta sociedade local. Mas o que chamava a atenção de suas empregadoras era a textura de sua pele, lisa e sem nenhuma marca, uma vez que ela evitava ao máximo se expor ao sol australiano. Diz a lenda que em sua mala ela carregava 12 potes de um creme facial caseiro que sua mãe usava e era feito por vizinhos da distante Cracóvia. Aproveitando-se dos elogios que recebia pela pele, tratou logo de atribuir o segredo ao creme dizendo que a receita do mesmo era um segredo de família feito com ingredientes provenientes da região dos Cárpatos, a região montanhosa da Europa onde fica a Polônia. Devido ao seu incrível tino comercial a história se espalhou e as encomendas se multiplicaram. Helena passou a encomendar mais potes com mais frequência a mãe e os vendia a um preço bem mais alto na Austrália. Algum tempo depois, com a ajuda de um patrão que era químico, aperfeiçoou a fórmula adicionando lanolina. Assim foi desenvolvido o seu primeiro produto oficial: o hidratante Valaze, que significa presente do céu em húngaro.


Nove anos após ter desembarcado na Austrália Helena já produzia sabonetes, loções adstringentes e cremes hidratantes. Os seus produtos, com fórmulas exclusivas, eram vendidos no primeiro salão de beleza do mundo, também invenção de Rubinstein e aberto em Melbourne um ano antes, em 1902. O lucro obtido foi investido em viagens para encontrar médicos e cientistas na Europa que lhe ensinaram técnicas de regeneração e firmação de tecidos, e também como retardar o aparecimento de rugas. Não demorou muito para que se instalasse em Londres, num salão em Mayfair.

Foi neste ponto que a vida de Helena Rubinstein virou quase uma lista de patentes do mercado da beleza: inventou a classificação dos tipos de pele em normal, seca e oleosa em 1910; criou o autobronzeador; descobriu a importância da hidratação do rosto como primeiro cuidado anti-envelhecimento; inventou o rímel à prova d'água; e também foi ela que inventou a estratégia, utilizada pelo mercado de beauté até a exaustão, de lançar um novo produto com um megaevento. Em 1941 lançou 5.000 balões nos céus de Nova Iorque, onde dentro de cada havia amostras grátis do seu terceiro perfume, o Heaven Sent.


Voltando um pouco no tempo, em 1908, Helena casou com o jornalista norte-americano Edward Titus. Titus tinha a fama de dândi, aquele homem de bom gosto e fantástico senso estético, mas que não necessariamente pertencia à nobreza. Com seus ternos feitos por encomenda em Londres, e suas camisas francesas Titus conquistou o coração de Rubinstein. Ele foi o primeiro homem a quem Helena beijou, e o casal teve dois filhos: Roy e Horace. Mas apesar do casamento Edward traía a esposa compulsivamente, o casal tinha brigas colossais, e Rubinstein carregava um constante sentimento de culpa por não dar a devida atenção ao marido em função do trabalho.

Por colocar o trabalho sempre em primeiro lugar também ficou conhecida por não ser uma das melhores mães que uma criança poderia ter: era extremamente controladora e pouca afetuosa, além de deixar a educação dos filhos a cargo das babás e dos tutores.


Em 1914 Helena se mudou pra Nova Iorque e levou na bagagem suas duas novas invenções: o pó facial opaco e o blush. Mas nada seria tão facial quanto antes. Nos Estados Unidos já reinava outra dama da beleza, Elizabeth Arden. Começava assim uma das maiores rivalidades do mundo dos cosméticos: enquanto Rubinstein pregava a opulência na maquiagem e nas joias, Elizabeth pregava o make natural e o estilo de vida mais leve. Em meio a esta briga feroz pelo mercado norte-americano veio a notícia que Titus havia trocado Helena pela empregada da casa. Prática, ela nem se abalou. Deu ao ex-marido uma polpuda compensação financeira e comprou de volta as ações com as quais lhe havia presenteado quando se casaram.

A rainha mundial da beleza mostrou mais uma vez seu lado prática quando ficou bilionária depois da quebra da bolsa de valores de 1929. Comprou de volta suas ações, que antes havia vendido ao banco Lehman Brothers, por um preço irrisório.  Arrebatou admiradores por todo o mundo e circulava no mais alto meio artístico também. Foi pintada por Salvador Dalí, e Picasso fez 40 desenhos dela, mas nunca terminou o quadro definitivo.


Com mais um golpe de sorte se apaixonou, aos 66 anos pelo príncipe russo Artchill Gourielli-Tchkonia, 23 anos mais jovem, e tiveram um casamento feliz por quase 17 anos até seu príncipe morrer de um infarto fulminante. Três anos depois viu seu filho caçula também morrer em um acidente de carro. Helena deixou um império bilionário e um mundo mais bonito pra nós mulheres. Hoje seu nome figura entre as cinco divas da cosmetologia junto com sua rival Arden, a russo-francesa Anna Pegova, a também norte-americana Estéé Lauder, e com a ucraniana-francesa Nadine Payot.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Inspirações da Maria: John Casablancas

Hoje resolvemos falar um pouquinho do fundador da Agência Elite, a maior e mais famosa agência de modelos da história. Mostrar a importância que sua empresa teve para o mundo da moda, e falar de seu gosto por coisas belas e simples até seus últimos dias em que lutou bravamente contra um câncer. Bem, se você gosta de moda, deve entender a importância que as modelos tem pra esta areá, e com certeza Linda Evangelista ou Cindy Crawford não seriam quem foram sem a ajuda de John Casablancas.


John nasceu em Nona Iorque e era herdeiro de uma rica tecelagem de origem catalã. Desde novo frequentava as mais altas rodas do jet-setter internacional. Estudou num dos colégios internos mais bem conceituados do mundo, o suíço Le Rosey e sua irmã Sylvia Casablancas foi namorada de Aga Khan, líder espiritual e religioso e nome que figurava na lista dos homens mais ricos do planeta. Foi no Le Rosey que Casablancas aprendeu a gostar de luxo e admirar belas mulheres. Ainda na época de escola recebeu a fama de ser mais sensualista do que intelectual, uma vez que namorava uma garota atrás da outra, principalmente nas férias de verão. Adorava viajar e por isso fez aulas em diversas universidades: na Genebra, em Saragoça e também cursou língua e civilização alemã na Baviera. Numa de suas viagens internacionais veio parar pela primeira vez no Brasil. Era a década de 60, e o jovem John aceitou o emprego de administrador na fábrica da Coca-Cola no Nordeste. Apaixonou-se pela feijoada e pela caipirinha, e também por uma francesa que morava aqui, Marie-Christine. Com ela teve sua primeira filha, Cécile, designer de joias que mora no Recife.

Com seu espírito de nunca parar, sua temporada no Brasil, e o casamento também, não duraram muito. No final da década de 60 já estava em Paris e lá conheceu a sua segunda mulher e mãe de seu segundo filho, Jeanette Christiansen. Jeanette era ex-miss Dinamarca, e com ele tiveram Julian Casblancas, sim, o músico que ficou famoso com a banda The Strokes. Juntos, o casal fundou a Élysée 3, primeira agência de modelos de John. Sua mulher administrava o negócio na sede na capital francesa, e Casablancas rodava o mundo procurando meninas e levando-as pra França. Mas o negócio, que começou recheado de novos rostos com belezas invejáveis, logo fechou devido a fuga de suas modelos pra agências da concorrência. Foi aí que Julian descobriu que sua recepcionista avisava sobre os news faces da Élysée 3 pras outras agências, que logo tratavam de fazer convites irrecusáveis as garotas. A este episódio Casablancas deu o nome de aprendizado da traição, e se alguém tinha a capacidade de aprender com os erros, bem este era John Casablancas. Em 1972 fundou a Elite em Paris e ao mesmo tempo abriu a filial em Nova Iorque, e ganhou fama por ser um competidor implacável.


Mas o sucesso da Elite não veio só da fama de não dar espaço a concorrência de Casablancas. Além de seu talento pra achar rostos bonitos, ele sabia reconhecer se aquele rosto belo vingaria. Segundo as palavras de John "a diferença entre uma mulher bonita e uma que será modelo famosa é que a segunda tem uma luz especial; ou é mais sexy, ou tem uma elegância fora do comum, ou tem uma personalidade que vai encantar a todos, ou reúne todos esses atributos numa só pessoa, que é geralmente o caso das supermodelos". Somado a estes dois fatores tinha a nova visão que o empresário trouxe para o negócio: passou a traçar um plano de carreira para os modelos onde as aparições não poderiam ocorrer de forma banalizada. Com aparições mais raras os cachês aumentavam. Fora isso profissionalizou os books e os castings.

Assim descobriu e alavancou a níveis internacionais ninguém menos que Naomi Campbell, Claudia Schiffer, as já citadas acima Cindy Crawford e Linda Evangelista, e Heidi Klum, dentre muitas outras. Também foi o responsável pelo início da carreira de atrizes como Cameron Diaz, Uma Thurman, Kirsten Dunst, Isabella Rossellini e Natassja Kinski; fora o fato de que foi ele o primeiro a exportar a beleza brasileira pro cenário da moda internacional com nomes como Adriana Lima, Ana Beatriz Barros e Isabelli Fontana.


Casablancas também foi o criador dos famosos concursos Look of the Year, evento que rodava as cidades do mundo e transformava uma simples garota em estrela internacional do dia pra noite. Mas com tanto sucesso também vieram as crises. A primeira ocorreu no final dos anos 90 quando, depois do surgimento da era das super modelos (fato que já falamos um pouquinho aqui) as modelos consideradas tops passaram a exigir o tratamento igual a de uma celebridade, não mais somente como uma simples modelo. Assim muitas migraram pra IMG, agência especializada em gerir a carreira de famosos. Mas a gota d'água foi quando a sua mais nova pupila, Gisele Bünchen, trocou a Elite pela IMG, levando consigo sua booker, isto tudo às vésperas de assinar um contrato com a super poderosa Victoria's Secrets. Na mesma semana Gisele recebeu o prêmio de modelo do ano em Nova Iorque e não agradeceu a John Casablancas e nem citou seu nome. Citou somente os novos agentes com quem estava trabalhando.

Ainda no mesmo ano, em um documentário da rede BBC, foi feita a denúncia de executivos da Elite em festas regadas a álcool e drogas com as suas agenciadas. Apesar do escândalo não ter prova alguma contra a pessoa de John, e dele ter, logo em seguida, afastado todos os envolvidos, sua fama de namorador voltou a tona. O motivo de seu divórcio de Jeanette, que aconteceu em 1983 devido ao relacionamento de Casablancas, que na época tinha 41 naos, com uma de suas new faces, Stephanie Seymour de 16 anos, tornou-se público.

Em 2000, um ano após todos estes escândalos, se viu obrigado a vender a sua parte na agência, mas entrou no que veio a considerar a melhor parte da sua vida: mudou-se pra Miami e já casado com a brasileira Aline Wermelinger, vencedora do Look of the Year de 1992, se dedicava a criar os três filhos mais novos  que teve com Aline: John Júnior, Fernando Augusto e Nina, e os netos de sua irmã, Isaac e Giacomo. Era fã incondicional de Pelé, mas foi convencido pela mulher pra virar a casa pelo Flamengo e não perdia um jogo do time.

Mas apesar desta fase de sossego, onde abandonou o cigarro e a fama de Don Juan, tentou algumas vezes, mas sempre sem sucesso, reviver a Elite. Os tempos haviam mudado e a visão que John tinha não combinava mais com o mercado. Casablancas passou a defender que a beleza não devia ser prioridade em detrimento da saúde, que as meninas menores de 16 anos não deveriam ter autorização pra trabalhar, e que drogas, álcool e prostituição deviam ser expressamente proibidas no meio. Tais declarações só o fez parecer, aos olhos de muitos, como um crítico raivoso que não sabia aceitar que seu período já havia passado.


De arrependimentos John admite só ter dois: nunca ter aprendido a tocar vilão e ter fumado, o que lhe causou um câncer agressivo nas cordas vocais que também se espalhou para os pulmões, ossos a até pelo cérebro. Casablanacas enfrentou a doença de forma valente e se submeteu a diversos tratamentos penosos. Como último pedido quis que suas cinzas fossem espalhadas na propriedade dos pai de Aline no interior do Rio de Janeiro. Segundo ele era o segundo lugar mais bonito do mundo, atrás somente de Paris. John morreu na sua casa no Rio, cercado pela mulher e pelos cinco filhos. Na cerimônia na casa dos sogros, do jeito que pediu, estavam também seus dois sobrinhos-netos, que moram na Europa e os amigos mais íntimos.

Antes de morrer John Casablancas gravava depoimentos pra um longa que está sendo produzido sobre a sua história e as inúmeras carreiras que ajudou a criar definindo um período no mercado da moda.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Maria mostra: Leandra Medine

Pra começar a semana bem-humorada hoje resolvemos falar de uma moça, por trás de um blog super bem conceituado. E bem humorado também, assim como estamos hoje! A ideia de criar o espaço virtual, e o tom que os textos seguiriam, saíram de uma conversa da moçinha de quem tamos falando junto com uma amiga durante umas compras na Topshop. Enquanto a primeira acreditava que seu cesto de compras estava repleto de peças cheias de referências de moda, a amiga notou que na verdade todos os itens arrasadores no quesito estilo, são um verdadeiro repelente natural aos meninos. Nascia assim o Man Repeller, o blog bombástico de Leandra Medine que mostra melhor do que qualquer outro, com uma boa dose de sarro de si mesma e do dilema que é usar itens do high fashion, ou seja, peças grifadas e consideradas de vanguarda, mas que ao mesmo tempo repelem o sexo oposto.


Antes de falar do sucesso na blogosfera, precisamos falar um pouquinho da Leandra. Desde a adolescência ela era conhecida entre as amigas como a "venenosa", aquela que notava cada peça de caimento ruim e barra de calça mal dobrada. Também era obcecada pelas semanas de moda internacionais desde novinha. Acompanhava os desfiles online e sempre estava disposta a se jogar na tendência da vez sem fazer caras feias. Tudo isso sendo uma boa novaiorquina JAP, abreviação de jewish american princess, que é nada menos que uma menina mimada e certinha da elite judaica de Nova Iorque.

Foi com este jeitão descontraído, mas com um olhar afinadíssimo pra moda, que o seu blog atingiu números incríveis: além de seu espaço virtual ser reconhecido pela Time como um dos 25 melhores de 2012, e alcançar uma média de 5 milhões de visitas ao mês, ela conta, na nossa última verificada, com cerca de 370 mil seguidores no Instagran e outros 150 mil no Twitter, além de 80 mil likes no Facebook. Sem contar que no último Setembro lançou seu primeiro livro, Man repeller: Seeking Love, Finding Overalls. Com a mesma pegada de humor inteligente fala desde a infância, onde era obrigada a usar saias e mangas longas no colégio judaico ortodoxo até o sonho de ser uma das Spice Girls (quem de nós, meninas de 20 e poucos anos, nunca sonharam, hein?).


Mas apesar do sucesso Leandra disse que aprendeu a ser pé no chão. Mesmo apaixonada pela moda formou-se jornalista na New Schoool University. Deixa claro que deve todo o seu sucesso a internet, mas não vê problema nenhum em trabalhar em qualquer outro tipo de mídia no futuro. Ah, e o mais importante, a repelente ambulante de meninos casou ano passado com o financista Abie Cohen, isto tudo antes dos 25! Então, apesar das caretas bem simpáticas recorrentes em seu blog, Leandra Medine quer ser levada a sério, e já esta conseguindo.







sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Sonzinho da sexta: Fingerfingerr

Eles podem até ser pouco conhecidos no cenário nacional, mas vamos mudar a frase pro AINDA pouco conhecidos, uma vez que com o som pra lá de bom em que mistura clara influência dos Beatles, experimentalismo e rock tradicional, não dá pra parar de ouvir Fingerfingerr.

A banda, que nasceu em 2011 e é cem por cento paulistana, é formada por Flavio Juliano nos vocais, Ricardo Cifas na batera e Gianni Dias no baixo. Legal é como o som deles é totalmente viciante depois que se começa a escutar. Seja pela batida mais agressiva em musicas como a que vamos escutar hoje, Punksy, ou por letras românticas e um arzinho de With a Little Help From My Friends como Find a Way.


Outra coisa legal é que o som deles encaixa perfeitamente com as letras cantadas em inglês. Muito desta escolha partiu de Flavio, que foi criado nos Estados Unidos. Esta segunda língua foi o bilhete de entrada pra uma turnê em que os meninos estão, agora no mês de Outubro e Novembro, rodando os EUA.

Mas se engana quem pensa que esta é a primeira experiência com público da banda. Além do EP lançado com quatro faixas, e com suas músicas como trilha da websérie A Vida Louca \o/ de Lucas Batista, eles também são figuras cativas da festa Bricolage, show que reúne DJs e bandas do novo cenário de São Paulo.


É com tanta dedicação a música que vemos que pros meninos do Fingerfingerr o importante é empurrar a arte e música pra frente, dois elementos que eles fazem questão de unir em seus vídeos. Outra coisa legal sobre a banda é que eles não gostam de ter seu som rotulado. Segundo as palavras de Gianni eles trabalham a distorção do som e brincam com efeitos usando a tecnologia a favor da música.

Ah, antes de deixarmos vocês com o som de Fingerfingerr, sabiam que o Gianni é irmão da cantora Tiê?


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Sonzinho com a Maria: Deap Vally

Se paramos pra lembrar das histórias das bandas de rock, muuuuitas começaram com encontros em lugares nada glamourosos como a sala de estar da casa da mãe de um membro, quartos, bancos de ônibus, e o clássico ensaio na garagem. Agora, vocês já viram alguma banda em que os membros, ou melhor, as, se conheceram nesses encontros pra tomar chá, café e fazer crochê? Não? Pois temos o prazer de te apresentar Deap Vally!


Lindsey Troy - a loira - e Julie Edwards - a ruiva, se conheceram entre um ponto de crochê e outro em Los Angeles, e logo ficaram bem próximas. Não demorou muita pra descobrirem a paixão mútua que tinham pelo rock'n'roll e o fato de que a primeira tocava guitarra e a segunda bateria. E assim nasceu, em 2011, uma banda super afinada no quesito de mesclar boa música à moda.

No último mês de Julho lançaram seu primeiro álbum, Sistrionix. E o trabalho foi tão bem recebido pela crítica que as meninas não demoraram pra estrear em palcos grandes, como a última edição do festival sonho Glastonbury, na Inglaterra.


O público, conforme vai conhecendo, também ama Deap Vally. Também são tantos motivos: letras que nós, jovens, nos identificamos ao falar sobre amores bandidos e independência; o som, bem cru e experimental, bebendo muito da fonte de bandas como The Kills e White Stripes; e o visual pra lá de descolado das meninas com muitos óculos de Sol, jeans bem destruídos, couro, um toque cigano e hippie, e outro de sensualidade californiana, deixando muito a pele a mostra, mas sem pesar a mão.

Segundo as próprias palavras de Julie o som da banda sofre influências do trabalho do bluesman Robert Johnson, da bossa nova de Tom Jobim, de bandas como Led Zeppelin, Black Sabbath (já falamos um pouquinho sobre estas duas bandas neste post aqui), Yeah Yeah Yeahs, e até do desenho animado dos anos 80 Jem e as Hologramas. Se você concorda ou não com as influências, bem, dá uma chance e escuta o som delas que é muito bom. Deixamos vocês com o maior sucesso que as meninas tem até agora, Gonna Make My Own Money.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Musas da Maria: Jessica Chanstain

Linda, talentosa e ruiva! Bastou a atuação dela como a senhora O'Brian em A Árvore da Vida pra estarmos caindo de paixão por esta atriz natural de Sacramento. E depois de tantos trabalhos de sucesso, tem como não amar Jessica Chanstain?


Jessica Michelle Chanstain é filha de uma chefe de cozinha vegetariana e de um bombeiro. Estudou na Universidade de Sacramento e depois de se formar, em 1997, resolveu levar a carreira de atriz mais a sério unindo-se a uma companhia profissional de teatro. No ano seguinte já fazia sua estreia nos palcos. Era a protagonista de uma adaptação de Romeu e Julieta. Após o papel de Julieta, a nossa ruiva achou que era hora de se aperfeiçoar nas artes cênicas e resolveu ingressar na famosa escola Juilliard, em Nova Iorque. Foi aceita no departamento dramático e se formou em 2003.

Ao sair da Julliard foi sua vez de se jogar nas telinhas e testar suas habilidades como atriz recém-formada. Fez participações nas séries ER e Law & Order. Mas brilhou no ano de 2011. Arrebatou corações dos espectadores como a delicada e quase angelical esposa de Brad Pitt no longa A Árvore da vida de Terrence Malick. Recebeu críticas super positivas ao dar vida a esposa de um homem perturbado por visões apocalípticas em O Abrigo e estrelou a inesquecível Celia Foote em Histórias Cruzadas. Foi por este longa que a moça recebeu indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro, e ainda levou o SAG de melhor elenco.


Mas premiação maior recebeu agora em 2013. Pelo filmaço A Hora Mais Escura, dirigido pela também premiada Kathryn Bigelow, Jessica recebeu o Globo de Ouro, o Oscar, O Bafta e o SAG de melhor atriz.

Agora vocês já notaram o quanto ela é linda? Pra nós, é mistura de beleza natural com traços delicados de fazer babar. E já que tamos falando de beleza, já viram o editorial para a Vogue US, clicado pela talentosíssima Annie Leibovitz, em que a ruiva é a estrela? A Jessica Chanstain encarna imagens imortalizadas como a fotografia de Julia Margaret Cameron, ou as telas La Mousmé de Vincent van Gogh e Ria Munk de Gustav Klimt. É muita beleza num editorial só, não acham?